A “felicidade” tarja preta.

Depois de um dia estressante no trabalho, recebi o convite de uma amiga para sair, apesar do cansaço físico e psicológico decidi ir e tentar relaxar.

Escolhemos um bar próximo ao trabalho, fazia frio então optamos por uma mesa próxima ao balcão, onde era mais quente, apesar de não gostar muito pedimos duas cervejas, tudo que eu queria era relaxar, esquecer por algumas horas os meus problemas no trabalho, em casa, nas minhas relações, a maldade que li nos jornais hoje pela manhã e que ainda corroiam meu estômago, eu só precisava me distrair..

Conversamos sobre vários assuntos, não nos víamos a algum tempo e isso garantiu novidades e assunto para mais de duas horas, quando dei por mim já havíamos bebido várias cervejas e o cinzeiro ao meu lado estava cheio, a conversa cessou por uns dois minutos, foi quando ela anunciou imitando uma voz de robô que iria ao banheiro.

Fiquei sozinha na mesa e comecei a observar as pessoas ao meu redor, todas como eu, estavam ali bebendo suas cervejas, fumando seus cigarros, rindo alto e tentando de todas as formas possíveis provar pra elas mesmas que eram felizes.. mas havia uma, uma única mulher que me chamou ainda mais a atenção, sentada sozinha em uma mesa, bebia apenas água e fumava sem parar, seu rosto era redondo e nele havia uma tristeza quase imperceptível. Fiquei ali observando aquela mulher por algum tempo e fui tomada por um sentimento de tristeza inexplicável.

Quando minha amiga retornou me despedi e fui embora, sai com um vazio enorme que pressionava meu peito me deixando sem ar, mas porquê? eu não compreendia, tive uma noite agradável.. porquê me sentia assim? Tomei minha dose diária de rivotril e dormi.

No dia seguinte levantei, sem forças para mais um dia, tomei meu Escitalopram e fui para o trabalho, lembrei daquelas pessoas no bar,tão vazias que provavelmente também teriam mais um dia de falsa alegria, que irão levantar amanhã e tomar de novo seus remédios pra conseguirem sorrir e aguentar assistir o jornal nacional do dia.

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