Todo mundo tem uma opinião

Ao decidir fazer um intercâmbio na Austrália eu não realizei antes, mas além da experiência de viver em outro país, o namoro há muitas mil milhas também me fez crescer. Sendo assim, aprendi em dobro: sobre mim, sobre nós e sobre os outros.

Sofri mais antes de vir, do que na prática.

O mais dificil você percebe que não é entre os dois, e sim o que você recebe de fora. Aprendi que quando alguém fala sua opinião sobre relacionamentos, não é necessariamente sobre o meu, e sim a projeção da própria maneira que quem fala leva seus relacionamentos.

Se falam que não vai dar certo, é por que acham que as coisas não vão funcionar de qualquer jeito. Quem fala que vai ter traição, é por que já experienciou um desses lados da moeda. Quem fala sobre, insira mil opções que já ouvi.

Percebi que a empatia com o outro é baixa, que assim que você fala que que está num relacionamento a distância você vai ouvir uma opinião, mesmo que você não tenha pedido — de pessoas próximas ou até de quem você acabou de conhecer.

Me surpreendi como o pensamento machista está enraizado em tudo.

Do lado do meu namorado, o que ele sempre ouvia era:

“ — Como ele ficaria tanto tempo sem transar?”,

como se namoradas fossem bonecas de função sexual. Com certeza ele não sentiria falta de conversar comigo olho no olho, do meu abraço ou simplesmente de ter uma companhia para passear. Quem fala assim parece que é praticamente constante e nunca passou um tempo sem transar. Esquece que tem muita gente namorando a distância que vai transar mais que casal que está junto lado a lado e gente solteira na balada todo dia.

Ao contrário, para mim ninguém nunca falou:

“- Como você vai ficar tanto tempo sem transar?”,

claro, eu sou mulher e não tenho desejos carnais. O que eu sempre escuto é:

“ — Com certeza ele está lá te traindo e você está sendo trouxa”, e

“- Se ele está longe quer dizer que você está solteira aqui”.

Surpreendentemente o papel da mulher é ser enganada.

Só descobrimos essa tendência por que costumávamos conversar muito sobre tudo, dar um suporte ao outro, ouvir gratuitamente isso quando o coração já está apertado com a distância é uma das piores coisas.

O fator cultural é decepcionante, por que esses pensamentos normalmente provem de latinos, que somos nós. Asiáticos e europeus tendiam a guardar suas opiniões para eles. Curiosamente indianos esperavam que por eu ter mais de 25 eu já seria casada.

É dificil, óbvio que é — de todas as opções tenho certeza que escolhi a mais complicada. Torço para que nunca mais tenha que namorar a distância tanto tempo de novo. Ao mesmo tempo não quero que meus sonhos e oportunidades passem só por que não posso ter quem eu amo 100% do tempo ao meu lado. Somos um casal, não gêmeos siameses.

Tento sempre lembrar, para mim e para os outros, que relacionamentos são totalmente pessoais e cada um é que sabe de si. Não importa de vai durar anos ou meses. O que importa é o caminho e não o resultado final.