me leve a mal, mas não me leve de mim
Peço que não me leve de mim, que não me impeça o pensar e o ouvir. Que não me sele os olhos, me arranhe a carne ou me queime lentamente com o seu explodir repentino. Não posso me observar morrer enquanto tudo o mais floresce ao meu redor. Dessa vez, também não posso me esconder dentro de mim mesma. O antigo refúgio se queimara devido aos pequenos fogos que se iniciaram, vez ou outra, perto dele. Pequenos incêndios internos que desmataram mais passado do que qualquer fogo jamais tivera a capacidade de fazer. Mesmo as raízes mais fortes não suportaram a determinação daquilo que pedia pelo novo, pelas terras, pelas cinzas. Queimaram tudo e me deixaram a céu aberto. Queimaram tudo e me deixaram sem opção. Pediram, apenas, que eu me movesse, não em busca de outro teto, mas de mim mesma.
25/06/2018
