Somos nós
Somos nós que desceremos às Trevas, que tatearemos a escuridão. Que sentiremos o beijo do desconhecido como quem sente uma brisa no rosto, um furacão. Nossas mãos procuram aquilo que os olhos não veem e a mente tenta entender algo que lhe foge, palavras e conceitos que ainda não existem. É o futuro esbarrando no presente que o passado traz. Nossas cabeças ardem e as palavras rolam de nossas línguas apenas para serem substituídas por outras. Nos devoramos constantemente para gerar a terra que nos nutrirá o renascimento, e é na decomposição que a semente é adubada.
Somos o fogo que ilumina o caminho, que queima o velho, que acende a fogueira. Somos a água que limpa a pedra, que rega o solo, que carrega e transforma os rios. Somos a terra que aninha, que dá base, que alimenta. Somos os ventos que trazem as novas, que dissipam o que já não mais pertence e carregam as sementes do que há de brotar.
04/09/2018
