NOFX em Porto Alegre: para encerrar 2015 com chuva de cerveja, pogo e insanidades

Foto: Nany Festa

Em dezembro de 2015 o NOFX passou por Porto Alegre e o site Rock Box publicou minha resenha. Confira aqui: http://www.rockbox.com.br/resenha-nofx-porto-alegre-2015/

2015 já pode acabar porque o show de punk rock mais esperado do ano — pelo menos em Porto Alegre — finalmente aconteceu.

A banda norte americana NOFX se apresentou no Bar Opinião, no último dia 15, terça-feira, com a Reffer, de Belo Horizonte, tocando na abertura do evento. Foram nove meses de espera, já que o show que seria inicialmente em 17 de março foi adiado devido a problemas familiares de um dos integrantes do NOFX, sem contar que a banda não aparecia por aqui desde 2010. O resultado desse período foi um show que agradou os fãs, alcançou as expectativas e contou com clássicos que de forma alguma poderiam ficar de fora.

Quem foi ao Opinião perto do horário da previsão de início do primeiro show, que seria às 20h, acabou perdendo as músicas iniciais da Reffer. A banda subiu ao palco antes do previsto, fazendo com que muita gente curtisse apenas o final do show. Uma pena para quem conhece os caras já há mais tempo; a banda acompanhou a tour do NOFX pelo Brasil — que passou também por Curitiba, Rio e São Paulo — mostrando a forte influência que o próprio NOFX causou nas bandas brasileiras que se inspiraram no punk rock californiano. Seguindo a linha do hardcore melódico, a Reffer não desapontou o público, tanto àqueles que só esperavam pelo grande show da noite, quanto aos que já acompanhavam sua carreira lá nos anos 90 e 2000.

Pontualmente, às 21h, o NOFX subiu ao palco, o que é ótimo para uma terça-feira. Ícone do punk, Fat Mike (vocal e baixo), recebeu aplausos e muitos gritos de euforia do público. Ele, que escolheu um baby doll pink para usar naquela noite, já está acostumado. Canções mais memoráveis da banda no setlist: ok; piadinhas insanas, sarcasmo e diálogos no palco: ok; cerveja voando por todos os lados: ok; público histérico: claro que sim, até demais. Para quem acompanhou os quatro shows do NOFX por Porto Alegre, as expectativas certamente foram atingidas nesse último. O que esperar de um show que logo de cara inicia com clássicos como 60% e Dinosaurs Will Die? E ainda 72 Hookers logo no primeiro bloco? Durante todas as músicas a roda punk e o pogo prosseguiam e o público acompanhava cantando a cada uma das canções. Cada parada para conversas e bobagens ditas entre o também icônico El Hefe (guitarra e vocais) e Fat Mike, era precedida por uma música empolgante e agitada. Os trumpetes são elementos importantes na música do NOFX, que é influenciada pelo reggae, e as canções mais ska da banda não puderam ficar de fora. Na hora de Eat the Meek foi a vez dos punks dançarem.

A mistura do set entre músicas rápidas e as quebradas do ska seguiu até o final e aqueles fãs mais saudosos, puderam usufruir de momentos únicos, como o EP The Decline, de 1999, sendo tocado na íntegra, por exemplo. Trata-se de uma única faixa de pouco mais de 18 minutos de duração, que aborda críticas à sociedade capitalista americana. Quando Linoleum e Don’t Call me White foram tocadas, pôde-se perceber o quanto essas músicas soam como hinos para algumas gerações. Dos mais jovens de moicano em pé, até aqueles que já estão ficando carecas, cantaram cada palavra dessas duas músicas. Covers também rolaram, como o da banda Necros e da homenagem para Tony Sly (No Use For a Name) falecido em 2012. O bis ficou com Bob, Bottles to the Ground, The Brews e, encerrando tudo, Kill All The White Man. Eric Melvin (guitarra) e Erik Sandin (bateria), dois dos membros fundadores do NOFX, mantêm o equilíbrio no meio de tanta brincadeira, com profissionalismo e presença de palco. A banda, que iniciou em 1983, já mostra certo cansaço depois de tanta estrada, mas se esforça para manter uma boa forma, com exceção para os copos de bebidas e até o porta-copos no pedestal de Fat Mike. Ao mesmo tempo, é louco poder assistir uma banda que é tratada como uma lenda viva do punk rock. Pode-se dizer que o ano encerra com chave de ouro depois desse show e vamos torcer para que a quinta vez em Porto Alegre não demore tanto assim!

SETLIST

60%
Dinosaurs Will Die
Stickin’ in My Eye
72 hookers
Franco Un-American
Murder the Government
Leave It Alone
Eat the Meek
Decline
The Shortest Pier (Tony Sly cover)
I Believe in Goddess
IQ 32 (Necros cover)
Monosyllabic Girl
I’m Telling Tim
Louise
Pharmacist’s Daughter
Moron Brothers
Don’t Call me White
We March to the Beat of Indifferent Drum
Perfect Government (Mark Curry cover)
Fuck the Kids
Linoleum
Bob
Bottles to the Ground
The Brews
Kill All The White Man

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