Escrita, ansiedade e vida acadêmica

Meu primeiro texto no Medium, Cronista Cotidiano foi meu primeiro amigo que acompanhei nessa plataforma, depois, incentivada pela querida Alessandra Nahra Leal, resolvi me aventurar por aqui. E é justamente sobre escrever que eu quero dialogar nesse registro medium iniciante. Espero que gostem, comentem suas considerações, por favorzinho. =)

Quero conversar sobre a racionalidade do ambiente acadêmico que perpassa nossas histórias e transforma nossos hábitos e formas de viver no mundo a partir da minha experiência com a prática da escrita.

A escrita sempre foi uma expressão muito importante na minha vida, um recurso embebido de prazer e nostalgia. Registrar não somente os acontecimentos de cada dia como também as emoções e sensações dos momentos que eu vivenciava era muito gostoso. Mesmo quando as histórias não eram tão bacanas de serem contadas, ainda assim valia a pena a hora de escrever para aliviar a mente das lembranças inconvenientes que povoavam a mente. Considero que escrever é um ato terapêutico, todo mundo tinha que tentar se expressar por meio das palavras, é uma linda experiência.

Eu sempre gostei de escrever. Tive diário dos 14 aos 19 anos, parei apenas porque era difícil conciliar essa prática com as novas responsabilidades que surgiram com minha entrada na universidade. Tive alguns blogs que oportunizaram que eu mantivesse, de alguma forma, o registro das minhas percepções e aprendizagens, porém, também esses espaços foram sendo esvaziados pela rotina e demanda das atividades acadêmicas.

No início do texto eu falei sobre racionalidade no ambiente acadêmico. Existem bons textos ponderando a dinâmica produtivista das universidades. Não somente isso, há muitas críticas sobre a fragmentação no ensino e tantos outros fenômenos que engessam a fluidez dos processos de aprendizagem do nível fundamental até o mais alto grau de especialização. Bem, nos últimos dias eu tenho pensado muito de como esse sistema de formação interferiu na minha prática de escrever.

Não somente não tenho mais o meu querido diário como “do nada” surgiu uma gigante insegurança de colocar no papel (ou num blog, na nuvem, no drive… vocês entenderam!) meus pensamentos. Essa insegurança vem de uma vozinha que ecoa na mente perguntando: “Quem escreveu sobre isso? De onde tu tirou essa ideia?”. Acho que essa, assim como falas que equivalem, são perguntas que começamos a ouvir dos primeiros trabalhos acadêmicos ao TCC (trabalho de conclusão de curso) e na pós graduação, #céus, é só o que você escuta. Eu sei as justificativas dessa cautela que vai desde evitar o plágio, contribuir no percurso de pesquisa acadêmica a valorização de estudos anteriores aos nossos. Ok, isso tudo é relevante, mas quando essa precaução não consegue ficar na dimensão que lhe compete temos aí uma situação para refletir.

Não é fácil se perceber nessa jaula. Isso é algo que vem acontecendo silenciosamente comigo há, sei lá, um/dois anos. Perceber que não consigo escrever um texto sem incluir um, dois (cinco!) autores/as sobre um tema ou que só faço uso de redes sociais para escrever algo que considero “leve” ou ter aquele sentimento de pesar na possibilidade de publicar um texto numa plataforma como essa pela informalidade da linguagem usada… ou, o que considero a pior parte, deixar de escrever algo porque não encontrei ninguém que pudesse respaldar seu raciocínio, é bastante aprisionador.

Esse texto é muito mais pra mim do que para qualquer outra pessoa, é uma forma de eu dizer: “Bruna, está tudo bem. Você pode compartilhar o que você pensa sem querer referenciar cada vírgula. TE ORIENTA, GURIA!”. Eu acho ótimo ler um texto com um conteúdo de qualidade, celebro quando o/a autor/a compartilha leituras e referências que usou para escrever alguma coisa. Mas imagino que em muitas ocasiões (porque isso acontece frequentemente comigo), nossa referência é a vida, são as pessoas e as experiências que nos ensinam e inspiram a usar as palavras. Isso pode não ser “conhecimento acadêmico” mas é algo lindo de ser compartilhado, é um saber que tem total potencialidade de ser insumo para a formação de outra pessoa.

Esse texto é uma tentativa de romper com esse ciclo vicioso de insegurança. Esse texto é uma maneira de redimensionar a racionalidade da vida acadêmica no meu cotidiano. Esse texto é um fôlego de leveza em meio as sistematizações conceituais e referenciais teóricos que transitam pelo meu ato de escrever. É possível ressignificar os sentidos e significados que me impulsionam a usar as palavras para me expressar. É possível ser a Bruna aprendiz de pesquisadora e a Bruna escrevendo seu diário de campo, de vida, de aprendizagens. É possível? Bora tentar.