à noite, cai da janela de um caminhão em movimento um resto de cigarro aceso que toca o asfalto e faz brilhar incontáveis estrelinhas de substâncias cancerígenas tão cinematográficas

de cima da mesa da lanchonete cai um copo plástico de café. o líquido preto, provavelmente queimado, se espalha por entre os rejuntes do azulejo descascado parecendo o lento inundar de pequenas estradas e vilas que há muito ninguém visitava

na parede de trás do velho armário do quarto, cheio de roupas esquecidas que cheiram a naftalina e um pouco de morte, começa a se formar um tanto de mofo. uma pequena comunidade. é vida de fungo nascendo

    Bruna Dalmaso Junqueira

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    feminista, bibliotecária, pesquisadora de educação, gênero e feminismos. escrevivente em horas vagas

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