“Na vida e na morte, sempre vou amar você.”

Todos sabemos que nada dura pra sempre.
A gente tem que aceitar e pronto. Injusto, não?
É difícil quando se acaba um namoro, quando se acaba uma amizade, quando se acaba o ensino médio e nos afastamos de nossos amigos. Difícil quando acaba uma viagem, quando termina o sorvete, quando está no fim de um seriado tão bom.
Mas nada, nada nesse mundo supera a dor de perder alguém.
Digo perder que significa morte. Quando alguém vai e a gente não consegue aceitar que não vai mais voltar.
Perder um amigo não se compara com a dor de perder um familiar.
Mas não há palavras para descrever quando seu cachorro amigo se vai.
Você até pode pensar agora que esperava alguma coisa diferente e que começou a achar esse texto ridículo.
Me desculpa. De repente você sentiu dor pior. Me desculpa mesmo.
Só que eu preciso escrever a minha dor.
Pântcho não era um cachorro dos mais espertos que conheci.
Até porque ele não precisava ser. Era perfeito e único com seus olhos coloridos e suas patas brancas.

Pequenininho e fazendo bagunça, ele chegou na minha infância para me fazer feliz para o resto dos meus dias.
Ele só ouvia o meu pai. Quando saía pra rua, era só o meu pai assobiar que ele voltava correndo.
Já eu? Ele dava risada da minha cara quando eu gritava pra ele voltar pra casa.
Pântcho teve uma vida e tanto. Comia todos os ossos do churrasco, quando chovia e se estava muito frio ele dormia dentro de casa. Detestava que colocassem roupa nele.
Meu pai dizia: “Pântcho Vila Rasga-Saco, nunca vai existir um cachorro que goste tanto de mim que nem ele”.
Foi castrado só com 18 anos, pois estava com um tumor. Eu fiquei nervosa naquele dia. Achava que ele não ia resistir.
Foi uma festa quando fui buscar ele na veterinária. Tava na porta me esperando e dando pulos.
Meu Pântcho foi ficando mais velho. A cada dia que passava, mais o seu pelo ficava branco.
Menos ele latia. Menos ele corria. Mais triste eu ficava.
Alguns meses se passaram e o tumor voltou. A veterinária disse que não tinha o que fazer. Não dava pra fazer cirurgia de novo.
Ele estava com 19 anos. Então, eu e meu pai resolvemos deixar ele viver seus últimos dias com a gente. Viver na casa que sempre foi e sempre será dele.
A situação foi piorando, até chegar num nível em que o Pântcho nem comia mais. Não se levantava mais da cama.
E o desespero bateu. Meu pai e eu não sabíamos o que fazer. Ele não caminhava mais e ficava deitado me olhando como se dissesse: “Me desculpa. Eu quero ficar aqui pra sempre, mas tá doendo”.
Ele me olhava como se tivesse lutando pra ficar mais um pouco comigo. Eu nunca chorei tanto em toda a minha vida.
Foi quando a gente decidiu que ele não ia mais sofrer.
A segunda-feira nunca foi um dia tão horrível.
Saímos de casa cedo e chovia tanto como se todo mundo soubesse que meu Pântcho não voltaria mais pra casa comigo.
Eu levei ele no colo. Meu pai não conseguia dizer nada. A gente chorava e não tinha mais o que fazer.
Meu amigo que viveu comigo durante 19 anos se foi. Meu Pântcho, meu vira-lata não vai mais me lamber e roubar minhas comidas.
E essa dor não vai acabar nunca. A falta que ele faz não há texto que explique.
Uma coisa eu tenho certeza, que ele tá sempre por aqui. Esses dias senti seu cheiro aqui em casa. Minha irmã ouviu como se ele tivesse caminhando no pátio. Me alegra saber que ele tá aqui.
Nada é pra sempre, apenas o amor que eu sinto por ele. Seja onde ele estiver.

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