Uma nova experiência

Mudanças não são fáceis. Nunca foram para mim. Pensar em mudar de profissão era assustador, talvez ainda seja pelos novos desafios que a área de design apresentam. Sou pedagoga de formação, tinha o sonho de trabalhar anos e anos na mesma escola, fazer uma carreira tranquila e estável, sempre com a mesma rotina, sem muitos desafios. Achava que a vida era assim. Bons profissionais eram aqueles que faziam bodas de prata na mesma empresa. Tinha essa visão pois cresci vendo minha mãe trabalhar todos os anos de sua carreira na mesma empresa, sempre do mesmo jeito, pegando os mesmos ônibus e linhas de metrô. Vi meu pai passar por várias áreas diferentes, mas sempre voltar para aquela que sempre foi sua paixão. Para mim a vida era isso: trabalhar para pagar as contas e trabalhar naquilo que “nascemos para fazer”. Na minha cabeça, eu nasci para ser professora de educação infantil, com muita “sorte”, uma professora de educação especial.

Todo esse pensamento foi por água abaixo quando conheci meu marido. Além de conhecer a pessoa que me faz feliz todos os dias, conheci a pessoa que desfez todo aquele meu pensamento antiquado sobre o mundo do trabalho. Além de descobrir o maravilhoso mundo da tecnologia, descobri que posso fazer parte dele. Costumava achar que a tecnologia era mágica (ainda acredito que algumas coisas sejam). Mas agora eu sei que posso fazer “mágica” também. Aquela coisa de “nasci para ser” não existe. Eu posso ser o que quiser, fazer o que quiser. E eu farei isso investindo meu tempo e energia no design.

O início desse investimento de tempo foi quando ingressei na faculdade de design gráfico, um tecnólogo de quatro semestres. E isso foi a apenas duas semanas atrás. Apesar do pouco tempo de faculdade já posso dizer o quão incrível está sendo a experiência. Conhecer novas pessoas, novos jeitos de pensar e opiniões é sempre enriquecedor para nós. Durante a primeira semana de aulas fiquei em estado de alerta. Era um novo território para mim. A cada dia conheci um novo professor, uma nova disciplina, novos assuntos.

No final dessa semana pensei: “sobrevivi!”. Mas ai percebi que eu não havia apenas “sobrevivido”, eu havia realmente participado dos assuntos, entendido tudo que os professores falaram, interagido com outros alunos, respondido algumas perguntas corretamente (ainda não em voz alta, mas estou trabalhando nisso para as próximas aulas). Eu entendia daquilo, eu entendia de comunicação, cultura, mídias, e até mesmo um pouquinho de economia criativa. (OBS: minhas disciplinas nesse primeiro semestre são voltadas a comunicação e cultura, nada específico do design ainda).

Entender a aula, participar, debater, absorver todo aquele conhecimento que estava sendo passado foi um sentimento incrível. Eu percebi que sou capaz e que sei muito mais do que achava que sabia. Percebi que posso obter diversos conhecimentos apenas vivendo e prestando atenção em coisas do dia a dia. Basta prestar atenção, ter a mente aberta e pesquisar sobre o assunto. Essa mudança de pensamento, de “não nasci para isso” para o “posso ser capaz, e serei”, foi o ponto decisivo para tomar um novo rumo para minha vida. Não sei de tudo, existem muitos assuntos dos quais eu não sei nada, mas eu posso aprender. Eu tenho capacidade de me tornar uma designer. Vai ser necessário muito estudo e muita dedicação. Vai ser necessário errar muito. Mas só errando eu saberei que estou aprendendo de verdade. E só tentando e me esforçando que terei a oportunidade de errar, e por consequência aprender.

Tudo bem ter medo. Tudo bem ter receio de mudar. Tudo bem não querer errar. Mas não está tudo bem não tentar. Eu ouvi em algum lugar que só precisamos de vinte segundos de coragem insana. Em partes é verdade. Mas você pode transformar esses vinte segundos em uma vida toda. Não vai ser do dia para noite, não será fácil e é importante saber disso. Mas isso não significa que essa vida corajosa não será verdade. Basta nunca desistir, por que quando você se der conta, já terá vivido.