Sobre nós, precious wing.

Existe algo sobre nós.

Algo sobre nós, que nos deixa acordados até tarde, rolando de rir na cama, enquanto criamos as mais singelas teorias sobre como é delicioso dividir a vida assim, em paz.

Algo que é de fato, inato em nós dois. Algo que quebrou padrões desde o começo, há anos atrás. Padrões que só eu enxergava e que você, sorrindo docemente me perguntou se eu queria ficar mais um pouquinho em sua vida, mas, a vida sendo a vida envolta em seus mistérios e sabedoria, me fez recuar e te fez recuar. Deixando ali, em silêncio, repousando tranquilamente, aquilo que poderia ter sido e que sensatamente, não foi. Voamos em direções opostas e voamos longe, descobrimos mundos, respiramos o ar rarefeito lá do alto, perdemos algumas de nossas penas e até quebramos nossas asas, diminuímos nosso voo, estacionamos sem baliza em um meio fio qualquer e ao procurar um canto para beber água, nos esbarramos novamente. Nos reencontramos encolhidos na área de refazimento.

Ali você, ali eu. Aquele menino ingênuo tinha ido embora, junto da minha menina que não sabia o que fazer com a própria vida. Os dois. Cheios de novidades, de aprendizados, de sabedoria adquirida, de pesar, de rugas novas, que inclusive caíram super bem ao redor dos seus olhos. Você tão mudado. Eu tão diferente. Nós dois, nos desvendando. E eram tantas histórias, tantas danças em sonhos, tantas peculiaridades, tantas pintinhas em comum, tantas risadas, tanta troca, tanta emoção, tanto respeito, que quando menos percebemos o encolhimento se transformou em eclosão, em abrilhantamento de almas, em engrandecimento de seres.

Algo entre nós, que nos fez Caetanear e Djavanear, durante longas noites que clareavam ao som de nossas risadas escandalosas, ouvindo os pássaros batendo as asas do outro lado da janela, enquanto fazíamos rimas e paródias sem métrica sobre o nosso simples cotidiano. Algo entre nós, que fez nossos olhos se inebriarem em lágrimas de compreensão e deleite. Algo entre nós que fez e ainda faz as pessoas se indagarem sobre o que é isso tudo, sobre o que somos nós. Algo entre nós que desfez nossos nós de marinheiro, até nos tornamos tão pura e simplesmente nós. Eu e você.

Ainda não encontramos a teoria perfeita, nem inventamos a melhor história sobre como tudo começou, como tudo aconteceu e como tudo tem sido maravilhosamente profundo. Optamos pela reserva. Gostamos de imaginar, que ninguém deve ficar sabendo. E isso é uma coisa incrivelmente encantadora.

Sei que são 275 dias, que algo entre nós nos move para o que há de belo, nesse mundo e nos outros tantos que gostamos de fantasiar como são. Tivemos tantas conversas sobre como o amor deveria ser, lembra? E estamos aqui, há duzentos e setenta e cinco dias sendo, nós. Nós que expandimos. Nós que bem queremos. Nós que aconchegamos e acariciamos. Nós que consolamos e damos sossego. Nós que desatamos.

Nós que nos damos as mais belas asas, para voarmos e sermos o que de fato somos, seres livres de nós e completos de nós, dois.

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