Anacoluto

Rodopiei em temulência sobre os pés da bailarina morta. Arrastei o corpo, abri os braços em arco. A ausência dela acordou o peso da vida em mim. Sem compasso ternário. Esqueça Strauss, esqueça Chopin. Silencia Carlos Gomes, silencia Pixinguinha. Guarda-os para outras, eu não quero mais valsar.

Descompasso que faço. Sei sobrelevar as próprias angústias, porém, não suporto as dela. Só não choro por ela, só não tombo por ela. Só não sei o que fazer por ela.

São circunstâncias curiosas. Não sei se pertenço a elas ou se pertencem a mim; talvez ambos, quiçá nenhum. Tenho mesmo é a mim e ao meu fim. E diante disso me faço só. E diante disso… Sou só o que me faço ser.