“Eu gosto de gente que a conversa nunca pára.”

Foi isso que minha mãe me disse quando perguntei à ela sobre os amigos que lhe havia apresentado naquela semana.

“Eu gosto de gente que a conversa nunca pára.”

Aproveitando o verbo e, parando pra pensar, faz todo o sentido.

Quem nunca ficou encabulado numa conversa que acabou antes do tempo, enquanto a criatividade pra bolar um novo assunto tomava chá de sumiço?

É aí que o silêncio fala por si só.

Esse silêncio significa a falta de repertório, o pouco conhecimento do assunto ou da pessoa. Esse silêncio significa que pára por ali o que podia virar conversa fiada — e longa.

Nas “gentes que a conversa nunca pára” não tem nada disso.

Há algo grandioso demais aí para parar — ou faltar, alguma coisa. Não falta opinião, não falta risada, não falta assunto e na falta dele, cria-se facilmente.

Conversar com “gente que a conversa nunca pára”, significa amor. Cumplicidade.

Significa afeto. Amizade. Parceria, criatividade.

Significa tranquilidade.

É não ver a luz no fim do túnel e não querer vê-la.

Que não paremos de encontrar “gente que a conversa nunca para”, como minha mãe (e eu) gostamos.

E depois que acharmos, que a amada, idolatrada, salve-salve conversa, nunca pare.