Chewing Gum e o racismo diário.

Ou: Aquela série que eu devia ter assistido antes.

Chewing Gum é uma série britânica que está sendo exibida em seu país de origem desde 2015, mas chegou ao Brasil só em 2016.

A princípio, a série retrata a vida de Tracey, uma moça virgem, do subúrbio de Londres, cuja família é fanática pela religião, incluindo seu namorado, Ronald.

Tracey é negra, não fez faculdade e trabalha em um supermercado perto de sua casa.

Logo no início da série, percebemos que ela aborda diversos assuntos importantes, como:

A solidão da mulher negra, os esteriótipos criados para as mulheres sobretudo, negras. A falta de oportunidade no mercado de trabalho para mulheres que não estão dentro de nenhum padrão. A importância do diálogo com os filhos, sobre quaisquer assunto, principalmente sobre sexo. Falta de auto estima. A dificuldade que as pessoas encontram para reconhecer e elogiar a beleza da mulher negra. Os limites da religião. Entre muitos outros assuntos polêmicos.

A personagem principal, assim como todos os outros personagens, é engraçada e caricata.

Assistir Chewing Gum é cair de cabeça na dura realidade de uma mulher jovem, cheia de inseguranças, sobretudo, por ser negra, pobre, sem muito estudo e sem muitas referências. A referência de Tracy é Beyoncé, que infelizmente, não pode ajudá-la nessa empreitada.

Essa é aquela série que você ri e se apaixona cada vez mais pelos personagens a cada episódio.

Ao decorrer da série, Tracy se envolve em encrencas do tipo ‘‘Coisas que só acontecem com ela’’, que são super engraçadas mas que na verdade, estão ali para nos apontar mais uma vez, como a sociedade é cruel.

Vale a pena assistir e apoiar mais projetos como esse: Que tiram os negros da invisibilidade.

Dica: É uma série altamente perigosa de assistir na sala com os pais ou avós. RISOS.