Comissão julgadora de mães.

Leia ao som de: https://www.youtube.com/watch?v=heUl6Ga8nUg

Dias atrás eu que não sou mãe, senti bem próximo a mim, uma pequena parte dos julgamentos que todas as mães recebem.

Foi assim: Havia uma moça sentada e logo chegou outra, elas se cumprimentaram e a moça 2 (que chegou por último) perguntou a moça 1:

M2: — Você estava trabalhando? E cadê o seu filho?

M1: — Sim, estava. Hoje sai mais cedo para vê-lo, ele está na minha mãe.

M2: — Nossa, mas eu não teria coragem de deixa-lo! É muito longe, ela mora em outra cidade, como você consegue?

M1: — Eu sinto falta dele mas preciso trabalhar e o pessoal da creche não chama, fora que tenho medo de deixar com babá, o jeito é ele ficar com a minha mãe até ele ser chamado para entrar na creche. Estou indo vê-lo sempre que posso, hoje mesmo sai mais cedo para viajar, vou levar uns presentes pra ele, mas ele está bem, ligo todos os dias e isso não vai ser definitivo.

A mãe do menino desandou a falar, se justificando e dizendo o quão difícil era ficar longe dele.

— Quando chego em casa me dá uma dor no coração, tudo quieto, ele não vem correndo me abraçar, a casa fica toda limpa, sem vida.

Eu era só uma ouvinte e por alguns instantes senti muita dor, não só por ela ter que ficar longe do filho por não ter vaga na Creche, mas também por saber que além de tudo que ela passa, todos os dias alguém vai julgá-la como se ela fosse a pior mãe do mundo.