O que aprendi com 2016

Primeiro: Nós subestimamos essa coisa do aprender.

Somos seres inteligentes mas demoramos muito para colocar nossos aprendizados em prática, talvez por medo de mudar; e é claro que a demora significativa para enfrentar os problemas, só traz mais dor.

Segunda lição:

Luto.

É a lei da vida, quanto mais velha você fica, mais gente vai partindo na sua frente.

Pois bem, algumas pessoas se foram e confesso que era mais fácil lidar com a morte quando era criança.

Hoje como adulta, fico brigando com a vida dizendo o quanto ela é injusta e pedindo a ela que não leve mais ninguém.

Sei que é inútil.

Embora o luto seja derivado do verbo “lutar”, não há nenhuma luta, é desleal. Nós nunca temos escapatória diante das fatalidades.

Aprendi que uma única coisa deve ser feita: tocar.

Toque mais as pessoas que você ama. Seja abraçando ou acariciando a face.

Menosprezamos o contato físico e achamos que tudo deve ser falado, mas sentir é tão importante!

É lindo que se fale mas sentir o momento, as texturas de uma pele, é muito importante e faz falta.

Lição número três:

Normal é ser anormal.

Na adolescência tudo é modinha, na vida adulta tudo gira em torno de ser quem você é mas nunca de verdade.

Vivemos em um mundo que não incentiva a saúde mental, o autoconhecimento e muito menos, a sororidade.

O capitalismo desenfreado nos faz pensar que precisamos de tudo e que precisamos ser outros. A falta de debates sérios sobre saúde mental, nos faz querer suportar todo o tipo de coisa quando não devia ser assim.

Eu não preciso comprar tudo, eu não preciso de tudo e eu sou um indivíduo único, só eu sei o que quero, só eu sei o que posso suportar.

(Este tem sido o meu mantra).

Lição número 4: Diga olá,bom dia, obrigado e por favor.

Desde pequena ouço que tenho que dizer bom dia, obrigada e por favor.

Durante alguns anos, a vergonha tomou conta de mim e eu acabava não dizendo os bom dias necessários ou, os dizia tão rápido a ponto de parecer um robô.

E numa dessas viagens a mente, percebi : as pessoas não são robôs, elas têm sentimentos e o meu bom dia pode mudar o dia delas. Foi ai então que eu deixei de ser uma garota educada e passei a ser, uma pessoa.

Lição número 5: Diga não.

Jamais ultrapasse seus limites para ficar bem com alguém. Principalmente com pessoas que mantém relações abusivas.

Lição número 6: Demonstre interesse sim!

Aqui quem vos fala, é uma pessoa que demorou anos para dar bandeira.

Isso de não ser transparente é uma mentira, uma jogada de marketing para que todas nós compremos livros de auto ajuda(nem todos são ruins) e acima de tudo, é uma falácia machista que visa banir o comportamento de mulheres ou pessoas com atitude, mas pasmem, todos temos interesses e tudo fica mais fácil quando você demonstra.

Se a pessoa não te quer, você não perde tempo.

Se a pessoa te quer, você não perde nada!

Seja livre, demonstre, as vezes perdemos chances únicas por medo de parecer exibida demais, vagabunda ou irritante.

Mas tá aqui uma coisa que ninguém fala:

Vagabunda : mulher livre.

Irritante: depende do ponto de vista.

Exibida: palavra que usam tentando diminuir alguém que lida bem com sua auto estima. <3

Lição de número 7: Não deixe o projeto fitness para depois.

Muita coisa pode esperar, sua saúde não.

Está sendo ótimo tentar em 2017 mas eu teria poupado meu corpo de muitas dores se tivesse começado antes.

Lição 8: Nunca é tarde para se reaproximar dos amigos.

(Só se reaproxime daqueles que valem a pena).

Lição number 9:

Use a abuse da Netflix e ignore essas pesquisas que dizem que você é solitário por fazer maratonas de séries.

A arte ensina muito e é maravilhoso ter uma tv digital tão acessível e muito bacana que ninguém precise ser cool o tempo todo, e que todos agora podem viver de pijama em paz.

Enfim, 10:

Não finja que não é problema seu!

Está certo que o governo possui a maior parcela de culpa, quando se fala em corrupção e país afundado, mas não finja que você não é brasileiro, não faça de conta que os problemas das pessoas não são seus e não pense que fazer a sua parte será sempre o suficiente.

Temos que pensar enquanto comunidade, pensar também em conjunto. O que me afeta pode afetar centenas de pessoas.

Fui para as ruas várias vezes em 2016, e tenho dito: dói ouvir das pessoas : “vá por mim” , “lute por mim” , se juntos somos mais fortes, por que estamos separados? Por que eu tenho que representar todos? São tantas as particularidades e os apelos, como dar conta de tudo?

Eu tento, juro que sim.

Só não sei se é possível fazer a diferença com tantas pessoas indiferentes a realidade do país.

É isso.

2016 me ensinou muito mais que dez tópicos e espero que 2017 seja ainda melhor.

Espero também que sejamos mais flexíveis para não precisar apanhar tanto, antes de aprender.