L’Excessive

Começa assim: Meus olhos fogem, buscam qualquer coisa que esteja distante.

Fico inquieta, e em alguns momentos chego a ficar imóvel.

Tento prestar atenção naquilo que está sendo dito, respondo uma coisa ou outra, finjo estar ok.

Enquanto isso meus pensamentos fazem festa, um querendo falar mais alto que o outro; e eu no meio do tiroteio.

Minha garganta parece gasta(deve ser culpa de tudo que engoli e abafei dentro de mim). Meu rosto se move lentamente e eu faço um esforço ainda maior para parecer atenta, segura e confortável na frente de todos.

Dou um tempo nas frases que digo de forma cautelosa e pausadamente; tento respirar de modo que meu cansaço e minha vontade de berrar feito uma fêmea inconsolável passe desapercebido.

Imagino que a essa altura pessoas mais observadoras já tenham entendido o que meu corpo quer entregar.

Meu coração está em frangalhos, ele há muito já perdeu essa batalha.

Pra mim já chega! Saio de cena antes que eu passe vergonha( prudência ).

Sinto meu coração pequeno. Eu mal consigo segurar o choro até chegar em casa.

Merda! Por que que a gente é assim? (Cito Cazuza).

Meu corpo pede arrego e dentro da minha cabeça se formam dois times: De um lado alegam que eu só posso estar pirando, que eu não devia sentir o que sinto, pensar o que penso, que tudo isso é medieval, imaturo. Noutro lado, onde o barulho é maior, dizem: — Você sabe que não deve calar ‘‘sua voz interior’’, sabe que sempre que não a segue as coisas ficam piores. A vida não é conto de fadas!

Pronto! A zona está formada. E qual o nome disso que me mata por dentro?

Frescura?TPM?Falta de porre?Transtorno Bipolar?Estado emocional alterado devido a bagunça causado pelo atual cenário político do país?Estresse?Falta de arte?Excesso de elemento terra no mapa astral?Culpa do ascendente?Minha culpa, só minha?

Sentimentos precisam ter nome. Dores, sejam elas passageiras ou não, precisam ser reconhecidas,nomeadas e sobretudo, vividas.

Termina assim: Em casa o choro vira pedra.Custa sair. Talvez porque não me orgulho da confusão em que me encontro.

Quando enfim consigo chorar, coloco música. Penso em fazer uma tatuagem, em desabafar, em escrever, em rabiscar paredes ou rodar a baiana.Volto a chorar copiosamente (só que desta vez,de raiva).

Odeio sentir ciúme.

Trilha sonora ‘‘Soy latina soy dramática:’’