Você é menino ou menina?

Eis a questão.


Bom, tenho consciência de que não posso falar pelos outros, então falarei apenas por mim.

Sim, meus textos todos são com eu-lírico masculino, e não é só pra enfeitar não, a verdade é que quando me deparo com um substantivo, me vem antes o masculino quando escrevo em primeira pessoa. Nas conversas via whatsapp, facebook, twitter, também me vem a letra O antes do A, mas, corrijo sempre para não me acharem estranho!

E parece que se tornou automático: com as pessoas, sou ela. Em verso e em prosa, sou ele. Parece aquela velha história de “de dia sou Maria mas de noite sou João!”.

E sim, provavelmente eu devo ter transtorno de identidade de gênero, mas não me sinto pronto pra tratar disso agora. É por isso que uso a escrita, essa arte onde posso ser livre, para ser quem eu acho que devo ser. Escreverei até ter plena certeza para sair do armário. Essas coisas são delicadas! Pode até ser coisa da minha cabeça, mas se não for, sinceramente não sei por onde começar.

Meu nome é Bruna, mas me visto da maneira que a sociedade chama de masculina, me porto um pouco dessa maneira, me relaciono sexualmente e amorosamente só com mulheres, gosto e sempre gostei de coisas “masculinas”. Coisas essas que a sociedade insiste em dicotomizar.

Mas não quero me prolongar no assunto, quem sabe outra hora, com um teor mais sério e formal eu discorra mais a fundo sobre essa minha questão.

O que quero dizer é que, se você me vir na rua, com essa minha aparência ~meio suspeita~ não se demore a perguntar! É melhor do que ficar enrolando, fazendo perguntas estranhas sobre namoros, comentários sobre a roupa e tudo o mais. É chato. Seja direto. Não vou tratar ninguém mal por isso, sou cão que ladra mas não morde. De brava só tenho a cara!

Eu não costumo me ofender, acho até engraçado, até gosto quando perguntam. Gosto de causar essa confusão, porque no fundo, bem no fundo, fico feliz por acharem que sou menino. Na interrogação de quem não me conhece, eu saio dos meus versos e vou pra realidade. Até me sinto bem. Sempre me elogiam depois, puxam um papinho, aliviados. E nada me faz tão bem quanto o elogio de desconhecidos!

Mas uma coisa me intriga, sempre respondo “sou menina”, mas por que respondo isso!? Só hoje parei para pensar nessa resposta. Não me sinto mal nem bem com essa resposta que costumo dar, mas se no íntimo me sinto parte dos dois, porque não ser os dois, afinal?

Quando me vir na rua pergunte, então:

— Você é menino ou menina?

Te direi:

— Me chame do que quiser, porque eu também confundo. Hoje posso ser Bruna, mas amanhã posso ser Bruno!


Leia também: Uni romance

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.