É, você merecia um desfecho melhor.

Ele perguntou se eu estava bem e eu disse que não. Não nos falávamos direito há meses e acho que deve ter se arrependido, porque agora eu não consigo parar de falar sobre tudo o que acontece comigo — até as coisas mais supérfluas como estar com uma vontade louca de tomar suco de laranja ou ter que documentar atos falhos como deixar um notebook enorme cair bem no meu rosto. Mas não, mesmo com todos os meus relatórios bobos sobre meu dia ele continua me chamando e isso me deixa muito feliz. Eu queria que chegasse o dia em que finalmente pudesse dizer a ele que superei o término com a tal pessoa que ele nem teve a chance de conhecer, que parei de acumular matéria e de fugir das coisas que não sei lidar, que os problemas familiares cessaram de vez. Mas esse dia está bem longe de chegar e mesmo sabendo disso eu imagino que ele vá esperar comigo, tomando um litrão de açaí e rindo sobre alguma outra coisa boba. Ou provavelmente pedindo pra que eu escreva mais e mande pra ele, quando na verdade devia ser o contrário. Falando nisso, desculpa Juan, mas o desfecho vai ser esse: por favor amigo, escreva mais.

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