São muito claros. Eu olho todos ao meu redor e vejo seus sorrisos estridentes estampados em rostos que se encheriam de rugas e marcas de expressão instantaneamente​ de tanto esforço que fazem para provar que estão plenos e felizes. Eu não conheço, provavelmente nunca conhecerei, nem um terço das verdades pessoais destes sorrisos, mas sei que não valem o esforço. Não os julgo, muito pelo contrário, a ignorância é uma virtude até certo ponto de vista. Mas não deixo de interpretar de forma totalmente diferente a realidade deles. Como acham que estão vivendo? Como acordam, saem de casa, ignoram qualquer problema que não os envolva e riem como se nada mais importasse além de qualquer assunto do momento? É entrar numa bolha de conforto e não sair mais. É não perceber que o motivo mais provável da vida é cair e aprender que é passageira, e que nada mais importa senão sua evolução espiritual, seu amadurecimento interpessoal, o conjunto das experiências mundanas que lhe são oferecidas. Entendo também que falta muita coragem, coragem pra não seguir esse padrão retilíneo, coragem pra abandonar essas instituições que nos sufocam, coragem pra bater de frente com as mais diversas questões que envolvem a vida. Mas de que vai valer, eu me pergunto, uma vida reta? Vamos seguindo o padrão e a cada retorno que vejo acabo pensando “não posso largar agora, preciso terminar minhas coisas, me resolver”. E quando as coisas serão resolvidas? Nascemos nas asas de nossos responsáveis, precisamos estudar, se matar no colégio pra ir pra faculdade e se matar outra vez. E quando achamos que acabou, temos que nos matar de trabalhar até o fim de nossas vidas. Tudo isso pra comprar coisas, tudo isso pra alimentar nosso ego na sociedade. Já nem é mais uma questão de sobrevivência, é uma questão de poder e status. Nos tornamos seres miseráveis. E eu continuo me perguntando quando vai chegar o retorno em que percebemos que logo o fim da estrada chega. Aquele que finalmente percebemos que se continuarmos seguindo, nossa disposição já vai ter sido devorada pela nossa própria cobiça. No fim, precisamos é de coragem e reflexão, pra enxergar que na verdade pegar esse retorno não é medo de encarar a realidade, mas sim entender que para a encarar é preciso se desapegar de todas as verdades absolutas que sempre foram cuspidas na nossa cara e ignorar o medo, de viver de verdade, que nos foi imposto.

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