Leituras de 2015

Pretensão de crítica literária: zero (inclusive, estou de final em Teoria da Literatura). Estes são apenas os livros que li nas correrias de 2015 e minhas anotações sobre cada um deles.

Entre literatura, poesia e self improvement, foram 20 títulos que me acompanharam durante o ano.

1. The Power of Habit: Why We Do What We Do in Life and Business — Charles Duhigg

É com um pé muito atrás que escolho livros de self improvement para ler . Existem bons livros, claro, mas o volume de porcaria disponível é muito maior, infelizmente. Depois de ler algumas indicações e reviews positivos, decidi apostar neste título.

Basicamente o livro usa pesquisas de neurociência e cases bem diversificados para explicar a formação do que chamamos de hábito, mostrando as aplicações disso inclusive no Marketing e na gestão de empresas. Os pontos abordados são bem embasados por estudos e entrevistas com especialistas e dão conta de apresentar o funcionamento de rotinas e padrões sem trazer aquele tom pegajoso de autoajuda. Diria que é mais ciência e suas aplicações do que divã de terapeuta, felizmente — nada contra terapeutas, inclusive frequento rs.

Título PTBR: O Poder do Hábito: Por que Fazemos o que Fazemos na Vida e nos Negócios

Quotes:

“Willpower isn’t just a skill. It’s a muscle, like the muscles in your arms or legs, and it gets tired as it works harder, so there’s less power left over for other things.”

“Giving employees a sense of control improved how much self-discipline they brought to their jobs”

“Consumers sometimes act like creatures of habit, automatically repeating past behbavior with little regard to current goals”

“(…) theory: People’s buying habits are more likely to change when they go through a major life event. (…) There’s almost no greater upheaval for most customers than the arrival of a child. As a result, new parents’ habits are more flexible at that moment than at almost any other peior in an adult’s life”

2. Meditations — Marcus Aurelius

Este livro era uma espécie de diário do imperador romano Marcus Aurelius (121–180 d.C) e traz relatos de questões do dia a dia na administração das cidades e das guerras — adianto: o período não estava moleza para os romanos.

Contudo, mais do que essas breves descrições dos acontecimentos, são bastante preciosas as reflexões filosóficas que ele faz sobre suas relações pessoais, com o poder, com a dor e, claro, com a morte. O cara era impressionantemente estoico. Basicamente, os ensinamentos são: cagadas acontecem, a vida nem sempre ajuda e é isso aí, aceita que dói menos.

Steve Ballmer sobre este livro: “Estoicismo. Estoicismo. Estoicismo.”

Dica: pesquisando, descobri que a tradução do Gregory Hays para o inglês é a melhor. Além disso, ele traz uma introdução histórica bem interessante a fim de evitar que o leitor fique perdido nas descrições e referências do Marcão e apresenta o Estoicismo.

Título PTBR: Meditações

Quotes:

“The world is maintained by change — in the elements and in the things they compose”

“Doctors keep their scalpels and other instruments handy, for emergencies. Keep your philosophy ready too — ready to understand heaven and earth”

“Or is it your reputation that’s bothering you? But look at how soon we’re al forgotten.”

“The world is nothing but change. Our life is only perception.”

3. Quiet: The Power of Introverts — Susan Cain

Nossa, comecei o ano toda trabalhada no self improvement MESMO. Li muitas reviews positivas desse livro, mas no fim das contas me decepcionei. O objetivo do livro é mostrar como pessoas introvertidas podem se dar bem em um mundo (especialmente o empresarial) que clama por interação, extroversão e networking. Na posição de uma pessoa quieta que se incomoda com algumas situações assim e busca formas de agir de forma mais extrovertida, eu já li muitos artigos sobre o assunto e terminei o livro com aquele ar de “conte-me algo que eu já não saiba”.

A autora traz uma dose suficiente de embasamento com estudos e discursos de especialistas, mas não consegue ir muito além do básico. Para introvertidos que não manjam nada do assunto, vale a leitura. Mas se você já tem alguma base sobre o tema, passe reto.

Título PTBR: O Poder dos Quietos — Como os Tímidos e Introvertidos Podem Mudar um Mundo Que Não Para de Falar

Quotes:

“(…) introverts and extorverts differ in the level of outside stimulation that they need to function well.”

“We actually have schools for ‘self-expression’ and ‘self-development’, although we seem unsually to mean the expression and development of the personality of a successful real estate agent.”

“(…) we can stretch our personalities, but only up to a point. Our inborn temperaments influence us, regardless of the lives we lead.”

“It makes sense, then, that Westerners value boldness and verbal skill, traits that promote individuality, while Asians prize quiet, humility, and sensivity, which foster group cohesion. If you live in a collective, then things will go a lot more smoothly if you behave with restraint, even submission.”

4. Letters from a Self-Made Merchant to His Son — George Horace Lorimer

No fim do século XIX, um dono de abatedouro de porcos em Chicago (EUA) se tornou muito bem-sucedido mesmo sem ter educação formal. Seu jovem filho está indo estudar em Harvard — em breve vai entrar para os negócios da família — e os dois se correspondem por cartas. Basicamente o livro é o conjunto dessas cartas, que trazem conselhos “de pai” bastante honestos e (olha aí mais uma vez…) estoicos sobre a vida pessoal e profissional. O formato de cartas é fácil de ler e o velho tem umas tiradas engraçadinhas.

Título em PTBR: não encontrei traduções

:(

Quotes:

“Education’s a good deal like eating — a fellow can’t always tell which particular thing did him good, but he can usually tell which one did him harm.”

“College doesn’t make fools; it develops them. IT doesn’t make bright men; it develops them. A fool will turn out a fool, whether he goes to college or not, though he’ll probably turn out a different sort of a fool.”

“Business is like oil — it won’t mix with anything but business”

“Remember that when you’re in the right you can afford to keep your temper, and that when you’re in the wrong you can’t afford to lose it”

“A man who does big things is too busy to talk about them. When the jaws really need to exercise, chew gum.”

5. A Desumanização — Valter Hugo Mãe

No fim do mundo dos fiordes da Islândia, uma garota perde a irmã gêmea e precisa lidar com a dor da morte, lacunas nas relações familiares e questões do crescer. O livro é de uma tristeza bastante delicada que navega em poesia. Gostei bastante do estilo do autor (esse foi o primeiro que li do Valter Hugo Mãe), contudo, pela propaganda que me fizeram do título, eu esperava mais :~

Quotes: não tem quotes porque acabei de me dar conta de que perdi meu exemplar.

6. O Retrato de Dorian Gray — Oscar Wilde

Depois de muitos anos, reli Dorian para uma disciplina na faculdade. A história do jovem que busca incessantemente pela beleza e pelo hedonismo não à toa é um dos clássicos da literatura ocidental. A corrupção moral apresentada na obra talvez não provoque o mesmo choque que causou na Inglaterra Vitoriana, mas ainda é um tema de reflexão bastante pertinente — há trechos atemporais.

A segunda leitura não me foi tão empolgante e prazerosa quanto a primeira, quando era adolescente, mas na releitura é sempre curioso notar as mudanças em nossa própria percepção sobre a obra. Pra quem ainda não leu: vai com tudo que dá boa!

Quotes:

O temor da sociedade, que é a base da moral, e o temor a Deus, que é o segredo da religião… eis as duas coisas que nos governam.”

“Atrás de toda coisa bela, há sempre um quê de trágico.”

“(…) pessoas extremamente à moda antiga, incapazes de compreender que vivemos num tempo em que as coisas desnecessárias são as nossas únicas necessidades.”

“Que não daria eu, para voltar à mocidade? Aceitaria qualquer condição, menos, é claro, fazer exercício, acordar cedo e tornar-me respeitável”

7. O Coração das Trevas — Joseph Conrad

Trata-se de outro clássico e um dos melhores livro que li este ano. Indicado para uma disciplina na faculdade, comecei a leitura sem muita fé e me surpreendi pela narrativa de Conrad. A história é simples, sobre a exploração de marfim no Congo, mas de uma densidade notável. A temática do processo civilizatório e da exploração no país é mostrado pelo autor com base em experiências que ele mesmo teve na África anos antes da publicação da obra.

A aventura, que expõe os horrores do imperialismo e não poupa reflexões, é embalada por uma linguagem poética incrível, o que contribui para tornar a obra ainda mais dramática e contundente. Uma leitura muito muito boa!

Quotes:

“Ele tem de viver no meio do incompreensível, que é também detestável. E existe também o fascínio que começa a se exercer sobre ele. O fascínio do mal (…)”

“Eles estavam morrendo aos poucos — isso ficou muito claro. Não eram inimigos, não eram criminosos, não eram nada de real agora — nada além de sombras negras de doença e inanição jazendo em confusão na penumbra esverdeada. (…) Não quis me demorar mais na sombra e saí apressado para o posto.”

“Tem um laivo de morte, um ranço de mortalidade nas mentiras — que é exatamente o que eu odeio e detesto no mundo — que eu quero esquecer.”

“Nenhum medo consegue se sobrepor à fome, nenhuma paciência pode saciá-la; a aversão simplesmente não existe onde há fome; e, quanto a superstição, crenças e o que vocês podem chamar de princípios, eles valem menos que palhiço ao vento. (…) É realmente mais fácil enfrentar a penúria, a desonra e a perdição da própria alma que esse tipo de fome prolongada.”

8. O Amor é um Cão dos Diabos — Charles Bukowski

Neste livro de poemas, o corte é seco e a honestidade vem escarrada, direto na cara. O velho Buk manda muito!

Favoritos:

sozinho com todo mundo

a carne sobre os ossos e colocam uma mente ali dentro e algumas vezes quebram vasos contra as paredes e os homens bebem demais e ninguém encontra o par ideal mas seguem na procura rastejando para dentro e para fora dos leitos. a carne cobre os ossos e a carne busca muito mais do que mera carne. de fato, não há qualquer chance: estamos todos presos a um destino singular. ninguém nunca encontra o par ideal. as lixeiras da cidade se completam os ferros-velhos se completam os hospícios se completam as sepulturas se completam nada mais se completa.

camas, banheiros, você e eu…

pensando nas camas usadas e reutilizadas para trepar para morrer. nesta terra alguns nós trepam mais do que nós morremos mas a maioria de nós morre melhor do que trepamos, e morremos bocado a bocado também — em parques tomando sorvete, ou nos iglus da demência, ou em esteiras de palha ou sobre amores desembarcados ou ou. :camas, camas, camas :banheiros, banheiros, banheiros o sistema de esgoto humano é a maior invenção do mundo. e você me inventou e eu inventei você e é por isso que nós não damos mais certo nesta cama. você era a maior invenção do mundo até que resolveu me mandar descarga abaixo. agora é a sua vez de esperar que alguém aperte o botão. alguém fará isso com você, puta, e se eles não fizerem você fará — misturada ao seu próprio adeus verde ou amarelo ou branco ou azul ou lavanda.

9. Flores do Mal — Charles Baudelaire

Baudelaire é Baudelaire e ponto final. Reli o Flores do Mal desta vez em uma versão bilíngue bacanuda com tradução do Guilherme de Almeida. Diferente da minha experiência com Wilde, a releitura de Baudelaire foi imensamente mais prazerosa e rica. Acho que essa faz parte das obras da minha lista “li adolescente, mas não tinha maturidade pra aproveitar metade”.

Favs:

Spleen

Sou o como o pobre rei de algum país chuvoso, Rico, mas incapaz, moço, e no entanto idoso, Que as lisonjas dos preceptores desprezando, Vai com seus animais, com seu cães se enfadando. Nada o pode alegrar, nem caça, nem falcão, Nem seu povo morrendo em frente do balcão. Do jogral favorito a grotesca balada Não mais lhe desenruga a fronte acabrunhada; Todo flores-de-liz, é um mausoléu seu leito E as aias, que acham todo príncipe perfeito, Já não sabem que traje impudico vestir Para fazer esse esqueleto moço rir. O sábio, que fabrica o seu oiro, em vão luta Por lhe extirpar do ser a matéria corrupta, E nem nos tais banhos de sangue dos Romanos, De que se lembram na velhice os soberanos, Conseguiu aquecer essa carcaça insulsa Onde, em lugar de sangue, a água do Letes pulsa.

10. O Clube da Luta — Chuck Palahniuk

Já tinha visto o filme, claro, mas a recomendação do livro me veio pelos podcasts do AntiCast, em que Palahniuk é idolatrado. Depois de ler dois títulos dele (este e No Sufoco, também nessa lista), entendo os motivos para deixar o cara num pedestal. Palahniuk é daora. Usa uma linguagem simples e seca pra mostrar personagens absurdos que com certeza não chegam perto da minha vida pacata e coxinha.

O Clube da Luta é um livro bom e vale a leitura, mas ainda fico com o filme. No Sufoco me conquistou muito, muito mais.

Quotes: sem quotes por motivos de: cara, cadê meu exemplar?

11. Odisseia — Homero

Todo estudante de Letras invariavelmente vai precisar passar pela dupla Ilíada e Odisseia. Pela primeira eu confesso que simplesmente passei. Correndo, de olhos e ouvidos fechados. E não me orgulho disso. Mas Odisseia me pegou de jeito. Escolhi a tradução do Frederico Lourenço, publicada pela Penguin. A história é maravilhosa, o personagem é sagaz e tudo acaba em churrasco com os broders e muitas hecatombes. Não foi uma leitura exatamente fácil, mas foi muito massa!

Quotes: kd o livro na estante? Tomou chá de sumiço.

12. Arte, inimiga do povo — Roger L. Taylor

Uma reflexão filosófica bem embasada sobre o jogo entre arte e dominação de classes. O que é a arte? O que define o prazer estético? O que a burguesia tem a ver com isso?

A introdução é bem embaçada e confusa e o capítulo final, insuportável, mas o miolo vale a leitura. Conceitos, linguagem e Marxismo… o caminho para chegar até à arte, de fato, é longo. Não tenho muita leitura sobre os dois temas (arte e Marxismo), mas a leitura provocou reflexões bem pertinentes.

Quotes:

“Nosso sistema educacional assegura que a maioria das pessoas saiba que Shakespeare é um grande escritor e Chopin, um excelente compositor. (…) No que diz respeito à arte, o processo não é a simples escolha por um grupo de especialistas ou o resultado de uma deliberação racional. Na sociedade contemporânea, os processos sociais são um dos negócios ou indústrias da sociedade.”

“A noção de arte no mundo antigo não está confinada a atividades que requeiram um alto grau de habilidade manual, e obviamente há enormes divergências entre seu conceito e nossa noção de arte da ‘alta cultura’”

“De acordo com a percepção da arte moderna, arte é simplesmente aquilo que assim é chamado e, para produzi-la, basta reconhecer como arte o que quer que tenha sido produzido.”

“Assim, o impulso social ligado à arte não é assegurar uma realidade social geral à vida de vanguarda da arte e seu constante fervor revolucionário, mas sim promover como experiência social geral as tradições sólidas, historicamente bem fundamentadas, e a ideia principal do que a sociedade burguesa considera arte.”

13. Good Omens — Neil Gaiman & Terry Pratchett

Como companheiro de férias, escolhi esta comédia do Gaiman e do Pratchett. Ácida até não poder mais e completamente blasfema, traz uma história baseada no Armagedon, o fim do mundo Bíblico. Tem demônio que dirige um carro envenenado ao som de Queen e anjo que toma bons drinks. Se você não tem crises de consciência fazendo graça com temas sacros, vai fundo. A risadinha no canto da boca é garantida.

Título em PTBR: Belas Maldições

Quotes:

Don’t think of it as dying, said Death. Just thinks of it as leaving early to avoid the rush.”

“It may help to understand human affairs to be clear that most of the great triumphs and tragedies of history are caused, not by people being fundamentally good or fundamentally bad, but by people being fundamentally people.”

“It is said that the Devil has all the best tunes. This is broadly true. But Heaven has the best choreographers”

14. The Fine Art of Small Talk— Debra Fine

Inconsolada com o grande #FAIL de Susan Cain (já citado na lista), fui atrás de novas formas de desenvolver meu lado extrovertido. Se o primeiro livro havia sido ruim, esse foi um desastre. A autora basicamente propõe exercícios idiotas para você socializar. Nem gincanas em grupos e oficinas de valores são tão terrivelmente pegajosos e entediantes. Decidi permanecer introvertida, obrigada.

Quotes: é tão ruim que não consegui salvar nem duas palavras.

15. Samuel Beckett — Murphy

E a edição da Cosac é linda

❤ Pena que no meu exemplar caiu uma garrafa d’água inteira.

Essa é a história de um cara que prefere trabalhar num sanatório e negar a vida “real” a se reunir com seus amigos e a se casar. Meu problema com esse livro é que tem personagem demais. Tenho dificuldades de administrar — sim, sofro com os russos. De resto, o absurdo de Beckett e aquela sensação de navegar no vazio do fim do mundo é uma delícia. Vale mencionar a frase de início do livro, tida como uma das mais bonitas da literatura…

Quotes:

“O sol brilhava, sem alternativa, sobre o nada de novo.”

“Murphy, a vida não é mais que figura e fundo.”

“A humanidade é um poço de dois baldes — disse Wylie –, um que desce para ser preenchido, outro que sobe para ser esvaziado.”

16. Crash!: Uma Breve História da Economia — Da Grécia Antiga ao Século XXI — Alexandre Versignassi

Inflação, alta do dólar, bolsa de valores, bolhas que explodem e tudo mais. Apesar de ter cursado na faculdade uma disciplina de Economia, eu continuava entendendo lhufas do assunto. E, cá entre nós, todo adulto precisa manjar um pouco de Economia — além de fazer outras coisas de adulto, como pagar IPTU, saber segurar uma criança e comer salada.

Esse livro do Versignassi, que foi/é editor da Super, ensina os conceitos básicos de economia resgatando pequenas historietas, como o boom de vendas de tulipa que rolou na Holanda no século XIIV e a febre das vendas de ações na Inglaterra, no século XIX. Ele explica de um jeito muito mágico e simples o básico que você precisa saber de Economia pra ler o jornal e dizer “porra, entendi!”. O livro mais útil do ano, sem dúvidas.

Quotes:

Dinheiro é um mecanismo engenhoso: permite que uma manicure compre seis pãezinhos sem ter de fazer as unhas do padeiro. E dá pra resumir sua essência em uma palavra: fé. Basicamente fé de que você vai conseguir trocar os papéis que estão na sua carteira ou os números que aparecem no site do seu banco por coisas para comer, vestir e morar.”

“A inflação funciona como um imposto invisível (…) Se você tem R$ 100 na mão, e o governo imprime uma quantidade de dinheiro 20% maior do que devia, vamos ter uma inflação de 20%. Seus R$ 100 passam a valer R$ 80.”

“Só que tão logo começou a fazer seu próprio dinheiro, o Brasil começou a depauperá-lo. Em 1822, quanto o pai do nosso Pedro II declarou a independência, nossas moedas de ouro já tinham 80% menos ouro (…) ‘O Brasil talvez tenha o período mais longo de inflação contínua registrado em qualquer país’, escreveu o americano Don Paarlerberg.”

17. The Customer Rules: The 39 Essential Rules for Delivering — Lee Cockerell

Depois de aceitar o desafio de estruturar a área de relacionamento ao cliente do Fleety, a primeira rede de compartilhamento de veículos da América Latina, nada mais certo do que fazer a lição de casa e mergulhar no assunto.

Assim como tenho meus pés atrás com livros de self improvement, sou bem chata com livros de business. Escolhi a dedo os de customer relationship e este foi o primeiro.

Lee Cockerell basicamente é o cara que comandava todo o setor de relacionamento ao cliente da Disney. No livro, ele compartilha causos bastante interessantes e dá uma boa ideia do que um bom serviço de customer precisa ser.

Quotes:

“There’s no way the quality of customer servisse can exceed the quality of the people who provide it.”

“The point is, every time a customer comes into contact with your business, whether in person, omn the phone, oro n your website, it’s a moment of truth. Your reputation is about to get either better or worse.”

“The truth is, customers can be lured and seduced by niceness, but if they don’t also receive expertise and competence, they’ll take their business elsewhere: someplace where people know what they’re doing.”

“Products and services are needs; wants are about the experience of obtaining them”

“Everyone has problems that you don’t know about. The customer screaming at you may have had the worst day of her life, and what happened at your business was the final straw.”

“’No’ is a hope destroyer. It also signifies a lack of effort”

18. Satisfação Garantida — Tony Hsie

Sem perder o embalo, decidi ler esse grande relato de Tony Hsie, o cara por trás da Zappos, e-commerce norte-americano de sapatos, sobre a origem e consolidação da empresa. Ele dá um belo overview na cultura de startup e mostra como transformou o relacionamento com o cliente no principal foco da Zappos. A forma como a empresa funciona e as dicas que ele dá são preciosíssimas e com certeza servirão de inspiração para o meu trampo.

Quotes: sem quotes por motivos de: fiquei com preguiça de levantar pra pegar um lápis enquanto lia e quando vi, terminei o livro.

19. Ficando Longe do Fato de já Estar Meio Que Longe de Tudo — David Foster Wallace

Antes de criar coragem e comprar o 2 em 1 Graça Infinita (livro e peso de porta), decidi conhecer Foster Wallace de mansinho, como quem não quer nada. Este livro é uma coletânea de ensaios que o cara escreveu sobre os mais variados temas: de um festival de lagosta no Maine à experiência de fazer um cruzeiro pelo Caribe.

O texto do sujeito é tão incrível que nem vou perder tempo tentando descrever. Ele consegue transformar experiências banais em textos encantadores, que passam por um filtro especial foster-wallaciano de rabugice e ironias. Virei fãgirl já.

Quotes:

“Nós, turistas, podemos nos dar ao luxo de cultivar nossos sentimentos ternos de defensores dos Direitos dos Animais com nossas panças cheias de bacon. Não sei quão aguçado é o senso de ironia desses fazendeiros, mas o meu foi afiado na Costa Oeste e me sinto meio que um panaca no Pavilhão Suíno” sobre reflexões vegetarianas em uma feira agrícola.

“Acompanhante Nativa mata um mosquito sem nem olhar para o bicho. “E naquelas bandas todas tomam Prozac e enfiam o dedo na goela, também. Deviam tentar simplesmente subir, girar e ignorar os babacas, dizendo Eles que se fodam. É o máximo que se pode fazer a respeito de babacas”, quando uma moça foi questionada do porquê não ter ficado brava ao ter sua calcinha espiada enquanto girava em um brinquedo do parque de diversões.

“Acho que o mundo pode ser dividido direitinho entre quem se empolga com a indução controlada do terror e quem não se empolga”, sobre os brinquedos do parque de diversões.

“O negócio é o seguinte. Férias são uma trégua de coisas desagradáveis, e como a consciência da morte e da decomposição é desagradável, pode parecer estranho que os americanos sonhem em passar as férias enfiados num imenso mecanismo primordial de morte e decomposição. Mas num Cruzeiro de Luxo 7nc somos envolvidos com destreza na construção de fantasias variadas de triunfo sobre essa morte e essa decomposição. Uma das maneiras de ‘triunfar’ é mediante os rigores do autoaprimoramento; e a manutenção anfetamínica do Nadir pela tripulação é um análogo nada sutil do adornamento pessoal: dietas, exercícios, suplementos de vitaminas, cirurgias cosméticas, seminários sobre gestão de tempo da Franklin Quest etc.”

“Aqui está em jogo, acredito, a sutil vergonha generalizada que acompanha a autoindulgência, a necessidade de explicar para quem quiser ouvir por que a autoindulgência na verdade não é autoindulgência. Tipo: nunca vou receber uma massagem apenas para receber uma massagem, vou porque meu velho problema nas costas causado por uma lesão esportiva está me matando e mais ou menos me forçando a receber uma massagem; ou tipo: eu nunca apenas ‘quero’ um cigarro, eu sempre ‘preciso; de um cigarro.”

“um puro americano contemporâneo: alheio, ignorante, ávido por algo que nunca poderá ter, frustrado de um modo que nunca poderá admitir”

Ai, tá, nossa, parei!

20. No Sufoco — Chuck Palahniuk

Sexólatras, senhoras malucas em uma casa de repouso e um cara que se engasga propositalmente em restaurantes. Se o livro abordasse só um desses temas já seria sensacional, mas ele consegue abordar os três. De uma só vez. Uma das histórias mais malucas e adoráveis que já li. É brilhante!

Quotes:

Eu só quero uma pessoa que eu possa resgatar. Eu quero uma pessoa que precise de mim. Que não consegue viver sem mim. Eu quero ser um herói, mas não só por uma vez. Mesmo que signifique deixá-la incapacitada, eu quero ser o constante salvador de alguém.”

“A aparência dela agora, você tem que pensar em um acidente envolvendo múltiplos carros. Imagine dois veículos batendo de frente. A aparência dela, você tem que pensar em dezenas de túmulos só para aguentar trinta segundos montando. Pense em comida de gato estragada e cancros ulcerados e órgãos doados expirados. Isso é o quão bonita ela é”.

Lema do personagem: “O que Jesus não faria?”

“As pessoas trabalham há anos para tornar o mundo um lugar seguro e organizado. Ninguém percebe que o mundo ficaria entediante com todas as terras delimitadas, todas as velocidades máximas estabelecidas, tudo classificado, taxado e regulado, todas as pessoas testadas, registradas, endereçadas e inventariadas. Ninguém deixa muito espaço para aventuras com exceção daquelas que podem ser compradas. Numa montanha russa. Num cinema. E mesmo assim esse é o tipo de coisa que provoca emoções falsas. Nós sabemos que os dinossauros não vão comer as crianças… E como não há possibilidade de desastre ou risco reais, também não há chance de alguma salvação real.De euforia real. De entusiasmo real. De alegria. De descoberta. De invenção. As mesmas leis que nos dão segurança nos condenam ao tédio. Sem acesso ao verdadeiro caos, jamais teremos paz verdadeira. Se tudo não puder piorar, não melhorará. O irreal é mais poderoso que o real.Pois nada é tão perfeito quanto você imagina que é. Pois é apenas o intangível que perdura, ou seja, idéias, conceitos, crenças e fantasias. Rocha se esfarela. Madeira apodrece. Gente… bom, gente morre.Mas coisas frágeis como pensamentos, sonhos e lendas podem permanecer para sempre.” Aceitando dicas para as leituras de 2016, embora os saldões da Amazon já tenham garantido uma boa pilha de livros que estão aguardando aqui na minha mesa