a enorme soma que podem vir a dar muitos poucos
Uma das frases mais poderosas que já li faz parte de um dos projetos mais lindos de que tive a sorte de participar: construindo um mundo ao qual queiramos pertencer. O projeto explorava muito profundamente justamente a complexidade desse movimento que é trazer a mudança de dentro para fora, a força que tem o auto-conhecimento e como ele é a única estrada para chegarmos, de fato, a um mundo em que todos possamos estar confortáveis em participar. O princípio básico de não fazer aos outros o que não desejamos que nos seja feito é uma lição que todos sabemos de cor desde pequenos, mas que na prática requer muita coragem. Como seres humanos, nos moldamos a partir do que vemos e vivemos socialmente, e é aí onde a constante vigilância tem papel fundamental e devemos nos apoiar na percepção: é preciso dizer diariamente a nós mesmos que nem toda maldade que circula no mundo é aceitável.
Quero que meu filho seja forte o suficiente não apenas para viver em um mundo que nos ensina o desamor, mas que tenha força o bastante para responder que a bondade também é possível. A coragem para defender o bem nos torna boas pessoas e bons cidadãos, e é necessário que se defenda a verdade a qualquer custo, ainda que voltemos a ser apenas doze (Papa João Paulo II).
Que desafio imensurável e cheio de questionamentos é esse de ensinar a outro ser o valor do que é pequeno, frágil, o valor dos inícios, do amor que devemos colocar em tudo o que fazemos, do poder que tem em nós a capacidade de perdoar e pedir perdão — desafios que nunca aprendi muito bem durante toda minha vida. Posso afirmar que durante a maior parte do tempo em que estive viva, ajudei a construir um mundo que sempre fez de mim uma pessoa pior, e, agora, como posso me reconstruir para construir esse que vem depois? Como posso me refazer, como meu corpo faz do zero esse filho tão pequeno, para ser um instrumento de exemplo de tudo que ele precisa saber?
Penso que me debruçar com toda confiança no amor que sinto por essa criança pode ser um começo, tentando alcançar todos os dias com pequenos passos a calma tão pouco atingível quando se lida com uma cabeça que pesa mais que o corpo que a carrega.
“Fazei tudo por Amor, assim não há coisas pequenas: tudo é grande. A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo.”
São Josemaria Escrivá, em Caminho.
