A Feira de Antiguidades

Bruna Rohleder

O Mercado Público de Porto Alegre pode ser o ponto de encontro de histórias intrigantes. A amiga atenciosa, o admirador de arte, a curiosa e a pintora. O que eles têm em comum? A feira de antiguidades.

Maria Nazareth Coelho

Maria Nazareth Coelho, 64 anos, é professora aposentada. Há quase 20 dias, ela saiu de Santos (SP), a sua cidade natal, para animar a sua amiga que está deprimida. “Depressão joga no lixo. Vai passear, vai se distrair. Eu vou aí em Porto Alegre”, foi a resposta que a amiga entristecida ouviu de Maria pelo telefone. Um dia antes de voltar para casa, a senhora passeia pelo Mercado Público na feira de antiguidades. “Eu tenho aquele amor e carinho pelas louças dos anos de 1.800 e 1.900. Eu não sou daquelas pessoas que usam os objetos, mas deixo na estante para enfeitar a minha casa”, conta ela com um sorriso.

“Eu sou um admirador de artes”, conclui Wilson Cavallari, coordenador da feira de antiguidades do Mercado. Ele está a um ano nesse local, uma semana de cada mês. Com 81 anos, Wilson com entusiasmo mostra os seus artigos antigos, modernos e contemporâneos. São porcelanas, joias, faqueiros, louças de cores frias que se espalham pela mesa comprida na frente dele. A maioria dos materiais são adquiridos em leilões no Uruguai e na Argentina. Wilson já tem experiência em feiras antigas: no brique da redenção está há 28 anos e no Moinhos de Vento há 20 anos.

Louças de Catarina de Moraes

Catarina de Moraes é uma mulher introvertida, mas está atenta às pessoas que chegam perto de seus objetos antigos. São louças, como pratos, bules e xícaras estão em cima da toalha vermelha que forra toda a mesa. Catarina é nova no mercado de feiras de antiguidades, mas já tem uma loja própria no centro de Porto Alegre há um ano. Foi a curiosidade que a impulsionou a trabalhar nesse ramo. “Estou aprendendo, não sei muita coisa”, confessa ela.

Uma música e um chimarrão fazem parte da rotina matinal de Zanete Oliveira. Através da técnica artística “a la prima” (de primeira, em português), a paisagista de 64 anos costuma pintar os seus quadros no turno da manhã. A artista sempre gostou de artes plásticas, mas, como profissão ela seguiu como pedagoga e psicóloga. Hoje, aposentada, Zanete aproveita o tempo livre para se dedicar aos seus quadros. “A essa altura da vida, eu comecei uma terceira profissão com muito sucesso”, afirma ela confiante. A artista já expôs as suas obras na Câmara de Vereadores, no Tribunal de Justiça e já tem um convite para ir, também, a Assembleia. No Mercado Público, uma semana por mês, como Wilson e Catarina, está presente na feira das antiguidades.

Zanete Oliveira

Maria Nazareth Coelho, Wilson Cavallari, Catarina de Moraes e Zanete Oliveira fazem o Mercado Público um ponto de encontro de diferentes histórias. O que eles têm em comum, porém, são a sua admiração por objetos antigos. Uma feira de antiguidades pode passar despercebido no cotidiano de muitas pessoas que passam por aquele lugar, mas para esses quatro personagens aquelas mercadorias são importantes.

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