ser

o sofrimento, mais que doer, floresce

assim como sem dor não teria poeta, nem samba, nem blues

pergunto na inabilidade da escrita sem sentido:

quem seria eu sem cada dia de coração despedaçado

de choro abafado na angústia de existir

de buraco vazio que não assobia?

as vezes queria voltar a ser aquela que você conheceu, tão plena em não sofrer, mas também em mal existir.

sem viver cada minuto de melancolia aguda, não mais seria eu.

agradeço pois, cada lágrima doída, cada noite que me enfiei na angústia da tua ausência.

devolvo pois, timidamente em poesia, como já disse o ator.

ela só é porque sou, porque dor, porque foi.

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