My house in Budapest

Cá estou eu, em Budapeste. Tudo é tão surreal que me faltam palavras, talvez até maturidade para entender o impacto disso.

Todos se esforçaram para que eu estivesse aqui: amigos, vovô, vovó, o pessoal do trabalho, da faculdade. E eu. Deus, ele mesmo, também se esforçou para que eu estivesse aqui. Que grande privilégio!

Apesar desses acontecimentos, ainda me sinto um tanto perdida. O futuro e o que será de mim nos próximos anos é incerto. Incerto demais.

Espero ansiosamente (não se engane, isto é um problema) conhecer o que o Pai deseja fazer por meio da minha vida. E escrevo. E observo atentamente a tudo e a todos. E me exponho. E faço mais do que deveria. Assoberbo-me de tarefas. Entro em desespero. Paro de priorizar o realmente essencial. Passo boa parte do tempo “apagando incêncios”. E é isso. Apenas. De novo e de novo.

Mas, sabe, talvez eu tenha vindo até aqui para começar a ter consciência da esperança que as pessoas colocam em mim, do esforço que será necessário para cumprir o chamado do Pai e a profundidade da minha missão, qualquer que seja ela. Consolidei no coração algumas verdades que exponho agora.

Não cheguei até aqui sozinha e não sozinha partirei. Não sairei deste nível de conhecimento e inteligência para outro mais elevado a sós.

Não preciso ser a melhor. No entanto, disciplina é um valor que eu preciso cultivar com afinco.

Não há possibilidade, sequer necessidade, de saber sobre todos os assuntos. Pelo contrário, devo aprender e me empenhar naquilo que me propuser a dominar.

Não posso abandonar família e amigos. Eles também fazem parte da história.

Não posso deizar de cumprir meus compromissos. Responsabilidade é valor inegociável.

Meu chamado não é pequeno. Não é solitário. Não é fácil. Pressupõe Deus no centro de tudo. Inspira poder, amor e equilíbrio. Exigirá que eu guarde o meu coração e amadureça; sorria menos ou, talvez, sorria no tempo certo. Não abrace o mundo com as mãos, mas me fará conhecer o mundo. Demanda muita, muita disciplina, coração quebrantado e coragem.

Cá estou eu, em Budapeste. Com mais perguntas que respostas na manga. Com um mundo inteiro para desvendar. Uma infinidade de compromissos para resolver quando chegar ao Rio. Uma vontade enorme de começar pequeno, de voltar à essência, de me (re)descobrir uma vez mais. Cheia de ideias na cabeça. Com um imenso amor pelo meu país. Com maior consciência de que esta vida é minha e de mais ninguém. Desafiada a entregar ao Dono do tempo todo o tempo, energia , juventude e amor que restam. Disposta a viver em processos. Amando muito e sendo muitíssimo amada.

Assim prossigo.


Tive a oportunidade de passar uma semana em Budapeste apresentando trabalho no World Congress da IAPSS, Associação Internacional de Estudantes de Ciência Política. Esta foi a vista incrível perante a qual escrevi boa parte do texto.