Embarque no Ônibus Hacker

Imagine um ônibus que invade cidades espalhando a cultura hacker. Se você pensou num veículo equipado com as últimas tecnologias, cheio de nerds vidrados em seus computadores, se enganou.

Foto: Foto Livre

O ônibus é do fim da década de 80 e foi adquirido com recursos de financiamento coletivo, em 2011 (volte no tempo e lembre-se de que ainda não existiam muitos projetos de crowdfunding — a arrecadação de quase 60 mil reais foi a maior do Catarse na época). Depois da reforma, o veículo ficou com 30 assentos e espaço para rodas de conversa, oficinas ou debates. Além de cabos, computadores e tomadas, claro, os tripulantes levam tenda, tinta, máscaras, linhas, jornal, rádio, mesa de ping pong e o que mais der na telha.

Parece estranho? Pois faz todo o sentido. É que a cultura hacker não está ligada apenas à tecnologia, mas também à resolução de problemas e à gambiarra. Emerson Marques, que faz parte do coletivo, explica.

“O hacker é um fuçador, um resolvedor de problemas. É uma pessoa que não se importa se as instruções dizem para não mexer em algo. Ela vai lá e faz.”

Nessa eterna experimentação, ter curiosidade é essencial. O grupo acredita que praticar uma atitude curiosa no dia a dia é a chave para o exercício da cidadania e para a realização da democracia no cotidiano.

O coletivo já passou por lugares como Rio de Janeiro, Brasília, cidades do interior de Minas Gerais e até pelo Uruguai. Na passagem por Ribeirão Preto (SP), os viajantes criaram, com os moradores locais, partidas de futebol de 27 segundos: o mesmo tempo gasto pelos vereadores da cidade para aprovar aumento em seus próprios salários, alguns dias antes da chegada dos hackers. Dá pra ver nesse vídeo como aconteceu a invasão.

O código que guia a viagem é simples, explica o viajante Henrique Trevisani:

“Aqui, ninguém pede permissão para fazer nada. Se você tentar fazer algo e der errado, peça perdão”.

Adaptação do texto originalmente publicado no PingHacker.

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