Da janela do meu quarto dá pra ver as estrelas.

Da janela do meu quarto dá pra ver as estrelas. E essa foi a minha maior descoberta em anos. Nem acreditei quando vi, ao chegar em casa depois um dia que poderia ter sido melhor e esquecer – felizmente! – de fechar a cortina que me impedia há tanto tempo de ver o que sempre esteve ao meu alcance. Mal consegui dormir quando anoiteceu e as estrelas apareceram, passando pela minha janela e iluminando todo o resto do meu quarto. A reação foi instantânea. Tratei de abrir ao máximo o vidro que separava o cômodo da rua e passei a noite observando o céu. Nem lembrava que em poucas horas eu teria que acordar e viver mais um dia normal e estressante. E nem queria lembrar… Pra falar a verdade, minha relação com as estrelas e a noite sempre foi singela. O que era uma traição com o sol, pois adoro absolutamente tudo que ele provoca na natureza. Sempre defendi o sol como se ele fosse meu marido. Nada de me dizer que prefere dias nublados quando os ensolarados deixa tudo extremamente mais alegre. Mas sempre existiu uma beleza quase surreal na luz das estrelas e da lua, e de qualquer iluminação conjunta que pudesse infestar uma cidade de tanta magnitude. Não é à toa que meus lugares favoritos no mundo são à beira de um abismo escuro, onde tudo que se vê são as luzes da cidade em contraste com as estrelas do céu. E todo o resplendor, calmaria, romance, beleza e singularidade que esse cenário me proporciona. É como se fosse meu refúgio. Procuro as estrelas pra elas me fazerem enxergar algum sentido na minha vida. E não é por acaso que sempre funciona. Elas me acalmam, me guiam, e me acolhem. Da janela do meu quarto dá pra ver as estrelas. E essa, definitivamente, foi a minha maior descoberta em anos.