Reflexos da Cicatriz 1#

Escrevo, pra quem quiser ler, sobre talvez ter que representar o pensamento através do meio material que a tecnologia nos oferece.

Representar nosso tempo, o pensamento. Trauma.

Como o pensamento de hoje, fragmento.

Fragmentado como Walter Benjamin imaginou, já mais. O Facebook talvez seja a minha prova mais banal.

No fide, o momento de tragédia, no outro trauma, no outro paixão, no outro comédia, no outro, ainda, uma comédia sobre tragédia, um meme, e assim sendo até que o próprio sistema faça ligações improváveis e inimagináveis exponencialmente… organicamente?

Talvez seja esta a máxima reprodutibilidade da máquina fazendo uma máxima ligação entre a História e a Humanidade.

Uma eterna crise de humanidade exposta em tela smart para qualquer um. Essa reproduzida pela ferramenta mais global, alimentada, assim, por nós mesmos.

Como representar, então, artisticamente uma época como a nossa?

Quadrinhos, como Dummer, ou talvez, Laerte, Rafael Coutinho, Mutarelli?

Desenhos animados, como A Hora de Aventura ou Coragem, o cão covarde?

Poesia, como, talvez e ainda, Drummond?

Canção, como Itamar Assumpção, Elis, Bocato, Sérgio Sampaio, Radiohead, Boulez, Miles Davis, Cida Moreira, Raul Seixas, ainda…?

Futebol, como no anarcoclassista gol do Coutinho, no último jogo da seleção brasileira?

É neles que se podem achar nossos clássicos exemplos?

Machado de Assis, Glauber Rocha, Lima Barreto, Racionais MCs, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, ?

Como representar nossos tempos agora?