Política utilitarista de Dória

Brunno Bastos
Jul 20, 2017 · 3 min read

O Prefeito, “gestor”, da cidade de São Paulo incia o implacável processo de higienização da cidade. Com suas medidas utilitarista da início a mais horrenda faceta que um político poderia fazer, mas de certa forma o legitimaram a fazer isso, uma vez que não se tem consciência política, nem do papel do político; do “gestor” é a obrigação de deixar a fachada limpa e apresentável para os investidores. É nesse caminho que Dória trás átona o utilitarismo para política moderna.

Em primeiro lugar vamos falar da utilidade do prazer. Jeremy Benthan em sua visão utilitarista do prazer chegou a seguinte conclusão: “todos nós somos governados pelos sentimentos de dor e prazer, são eles nossos mestres soberano.” para Benthan o “conceito de certo e errado deles advém”, ou seja, há uma atratividade no prazer, enquanto a dor, que não nos chama atenção, é desesperadamente superada. A verdade em suma que ele quis dizer é: o prazer vem em detrimento da dor. Bentham foi um filosofo inglês que cunhou a teoria do utilitarismo. A centralidade da sua ideia é formulada de maneira simples e intuitiva, portanto a finalidade de sua moral era “maximizar a felicidade assegurando a hegemonia do prazer sobre a dor.

Partindo dessa premissa não é difícil identificar aonde Dória fundamenta suas ações políticas, sobretudo no seu engenhoso plano de higienização da cidade de São Paulo. Esse plano que visa, através da força, a redução da presença das pessoas que vivem em condição de rua no centro da cidade, oferece uma ilustração clara do utilitarismo.

Em análise casuística pressupõe-se que, haver pessoas de rua reduz a felicidade, produz sentimento de dor para alguns mais sensíveis que entendem a necessidade; para outros causa repugnância ou até mesmo medo. Assim a autorização de Dória para retirada dos cobertores e expulsão através de jatos d’água ou demolição de edifícios ocupados dos moradores de rua seria uma forma de maximizar a felicidade da cidade de São Paulo, assim ele reduziria a dor dos mais sensíveis e acabaria com o medo e a repugnância dos mais intransigentes. Quanto aos que vivem nessa condição de moradores de Rua, sua felicidade reduzida, se comparada a gozo maior da cidade de São Paulo, não tem “utilidade”, porque nas ações promovidas por este prefeito, maximizar a utilidade da cidade seria exterminar os “mendigos e cracudos”.

É importante perceber que, todas as ações desse prefeito versam no mesmo sentido, se levarmos em consideração suas ações na praça princesa isabel, aonde se encontra um grande número de pessoas dependentes de drogas, e analisarmos o seu discurso, que diz afirma de uma forma bem clara que a gestão que o precedeu carrega a culpa daquela condição, nada há de diferente na lógica da maximização da utilidade, por mais desumano que isso possa parecer. Agora falando em humanidade, para um homem que pensa que o estado é uma empresa, “não sou político, sou gestor” o que será que ele qualifica como humano, tendo em vista o capital que cada um pode gerir para sua administração?

Pensar a cidade como um campo político é de uma complexidade enorme, tendo em vista a dicotomia e todas as necessidades individuais que dela emana, entretanto, o pragmatismo brasileiro e o princípio retórico: “pelo menos ele está fazendo algo” surgere um afago necessário para obscuridade das ações de utilitarias do Dória.

Seria cômico se dissesse que Jeremy Bentham propôs algo similar em pleno século XVIII ao governo Inglês, contudo, o que é nefasto é que o governo inglês não abraçou a proposta, mas o Dória “permite a retirada de cobertores de moradores de rua”; o Dória “Promove o combate na ‘cracolândia’ inferindo com bombas e armas as internações compulsórias que nenhum resultado trará”; Ah! mas o Dória! o Dória “pelo menos está fazendo alguma coisa”.

Com o mínimo de humanidade que ainda há, a maximização da utilidade não deve vir em detrimento de ninguém; que nossa humanidade seja fértil e enxergue em tudo que é humano esperança de dias melhores.

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