O personagem e o estupro
Estevão Ribeiro
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Estupro como recurso narrativo é baixo. É tão baixo e autocentrado, que um homem ganha “forças” através dele, mas nunca em si mesmo, é sempre a mulher, a filha, a mãe, a vizinha… Porém, quando falamos da mulher, o estupro nunca é relacionado a um homem que ela ame, é sempre dirigido à própria personagem, ou, em alguns casos, a uma amiga, vizinha, parente…
Na minha visão, estupro não é sequer recurso narrativo ou motivador de uma história. A mulher não vai ficar mais forte ou vingativa porque foi estuprada. Estupro não é fórmula mágica para dar energia a ninguém. O estupro torna quem o sofre fragilizada/o, machucada/o e com um trauma tão grande, que sua superação, caso ocorra, se dará com anos de tratamento.
Não conheço nenhuma vítima de abuso (que eu saiba), mas fico furioso só de pensar em como as pessoas são capazes de escrever sobre ele tão levianamente. Pensam duas vezes antes de matar um personagem, porém não o fazem quando surge a ideia de usar o estupro.

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