A fixação pelo inédito

O ato de ir, automaticamente, implica o ato de deixar.
A esquina que dobramos, a porta que fingimos não trancar, o sinal que atravessamos. É uma imprudência do presente em nome de um futuro qualquer.
Nem paramos pra ver o horizonte. Só contamos os passos até uma nova chegada e a distância da antiga vida. Não trazemos o velho nos braços quando o novo respira em nosso pescoço.
Quando ele envelhecer, sabemos o caminho da juventude de atitudes.
Mas nunca de experiências.
A passagem está livre e os novos ares adoram promessas. Nos inclinamos a acreditar, como uma reverência desajeitada ao que desconhecemos. É o interessante pela primeira impressão. A obsessão pelo nunca antes visto. Uma tentativa de abraçar tudo que é instantâneo e atraente.
Não se criam lares nas estradas, apenas moradias temporárias. Acampamos em alguém sem a pretensão de estar ali para o café da manhã. Apenas beijos de boa noite pra quem vive na escuridão do deslumbre. Qualquer luz pode revelar mais do que se deseja.
Decore as feições. Memorize os detalhes. Aprenda os encantos.
Quando decidimos seguir, só se volta em forma de memórias.
Sem cor. Sem tempero. Sem a vivacidade do que foi.
Não existe de novo. Só o novo.
Quer dizer que seus belos olhos chegaram até o final do texto, né?
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