Os estranhos

Brunno Lopez
Aug 5 · 2 min read

De onde brota a nascente do interesse que desboca no oceano de ansiedade?
Onde são feitos os planos sem qualquer alicerce não-abstrato?
Quem detém o mistério indescritível que impulsiona todos os mecanismos de cativação existentes em nosso arquivo de emoções?

Os estranhos.

Enquanto não nos aprofundamos em qualquer superfície de personalidade, toda novidade parece excitante em graus dignos do orgasmo de um porco.
Devaneios são criados, um mundo paralelo é desenvolvido pois a curiosidade sempre foi uma forma de dar prazer às ambições de nossas expectativas.

Quando não somos castigados pelo pesadelo da intimidade, fazemos suposições angelicais sobre qualquer feição do desconhecido.

Entramos milagrosamente em contato com o nosso lado mais fantástico. Oferecemos, como se fossemos presidentes de todas as ONG’s do planeta, o melhor de nós.

Apreciamos detalhes minuciosamente. Procuramos nos escombros de relacionamentos interminados, aquele abajur com luz infinita que pode decorar a sala de estar dessa tão surpreendente nova pessoa.

Cometemos crimes inafiançáveis em nome de uma justiça casual. Antecipamos beijos, ensinamos às nossas línguas todos os movimentos que o Carlinhos de Jesus faria com os pés. Imaginamos perfumes que nos desejariam bom dia num daqueles domingos de chuva, sem energia elétrica.

Se todas as relações conseguissem absorver a euforia emocional que depositamos em todo olhar que, por acaso, pousa sobre os olhos de completos desconhecidos, as igrejas seriam os maiores empreendimentos da construção civil. Afinal, os casamentos aconteceriam diariamente e durariam por todo o sempre.


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Brunno Lopez

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Um ilustrador de palavras que acredita que o amor não passa de um tapete voador que sobrevoa as misérias humanas.

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