Só por hoje me permito. Só por hoje me aceito. Só por hoje sou grato. Só por Hoje.

Hoje me sinto limitado, me sinto incomodado por me preocupar com dinheiro. Observo que quando não tenho certeza absoluta de que tenho dinheiro para fazer tudo que quero, fico ansioso, como muito e gasto minha energia com coisas inúteis. E fico tranquilo quando tenho mais dinheiro do que eu acho que vou precisar.
 
Tanto eu não ter dinheiro suficiente quanto eu ter mais do que vou precisar são ilusões. Não é possível afirmar que alguma dessas situações sejam absolutamente verdade. Ainda não consigo prever o futuro.

E quanto é o suficiente? Se não sei quanto é o suficiente, como eu vou saber se tenho mais que o suficiente?

Eu fico tranquilo ou ansioso não por isso. Não pode ser. Tem algo maior por trás. Essa não é a raiz do problema. Não tenho traumas com dinheiro. Não me lembro de querer muito fazer algo e não ter dinheiro para realizar. Pelo contrário, quando quero muito uma coisa e isso vem de um lugar verdadeiro, o dinheiro aparece de onde eu menos espero e de onde eu espero também.

Olhando mais a fundo, estou incomodado por que não coloquei um propósito verdadeiro para o meu dia de hoje. Comecei o dia sem um grande objetivo, sem uma grande tarefa para realizar, sem um grande incentivo. E quando isso acontece, eu me sinto como num barco à deriva num mar calmo onde parece que nada vai acontecer, o barco pode ir para qualquer lugar, mas não se mexe muito, se mexe pouco e muito lentamente.

O que é um propósito verdadeiro? O meu ontem foi que os universitários conseguissem criar a viagem deles de encerramento do trimestre de uma forma colaborativa e se divertissem com isso. Foi também me observar e aprender com a experiência de facilitar esse processo, aprender sobre mim mesmo e sobre o outro. Isso me fez levantar da cama animado, mandar mensagens para minha namorada, cantar no chuveiro, não me importar com o café da manhã (não tomei café, só comi duas castanhas) e dar um bom dia animado para todos que encontrei no caminho até a Aldeia Universitária.

Lembra da metáfora do barco? Ontem eu estava me sentindo num barco à deriva também, mas num mar agitado e com muito vento. O barco podia tomar várias direções e algumas não eram muito desejadas. A necessidade de estar presente em meio ao caos, me permitiu acessar o néctar da minha criatividade, a insatisfação. A insatisfação e o incomodo acenderam várias luzes de alerta mim. “ Você precisa fazer alguma coisa, se não esse barco vai virar. ” O Caos gerou um incomodo, que gerou a necessidade de pensar em soluções para sustentar o barco. (Equilíbrio entre caos e ordem — espaço caórdico) E isso exigia presença para escutar, sentir e criar. Então o caos traz presença?

É no caos que as criações acontecem, é no caos que surgem minhas melhores ideias, é no caos que me sinto vivo, que acesso meu poder de criação, minha vulnerabilidade, meu poder de resposta. No caos eu não sinto vontade e nem necessidade de me ocupar com algo que não esteja acontecendo no momento. Estou atento e presente, minha mente está ali, somente ali. E a parada do dinheiro, onde entra nessa História?

Não entra porque estava vivendo um dia tão maravilhoso que não tinha espaço na minha mente para me preocupar com qualquer coisa. Estava presente e em movimento.

Ele entra no dia de hoje, um dia calmo onde não tinha o caos ali para me ajudar a estar presente. Hoje percebo e aceito que preciso estar em movimento para estar presente, para me sentir bem, para me sentir feliz, para sentir que estou vivo e evoluindo.

E também preciso de dias como o de hoje, dias em que me sinto incomodado de uma forma diferente da que me senti ontem. Hoje é um incomodo dentro de um barco à deriva num mar calmo onde parece que nada vai acontecer, não preciso estar atento, não preciso estar tão presente. E é aí que o barco lentamente se move numa direção não desejada e começo a me preocupar com coisas ilusórias como se vou ou não ter dinheiro, se estou fazendo o que deveria estar fazendo agora, se estou trabalhando pouco, começo a ficar ansioso, quero comer muito, tomar sorvete e imploro para alguma coisa incrível acontecer e salvar o meu dia chato.

Sim, preciso aprender a viver esses dias. Está claro que para mim é mais fácil estar presente nos dias agitados e agora talvez esteja aprendendo a fazer o mesmo em dias calmos como o de hoje. Escrever esse texto foi o produto da insatisfação pelo dia que estava vivendo. Esse incomodo acendeu em mim aquele mesmo alerta de ontem, eu escutei aquela mesma frase dizendo que eu preciso fazer alguma coisa, pensei no que poderia fazer para sair do estado que estava de ansiedade e insegurança, abri um livro e na primeira página estava escrito: “ Escreva o que vier na cabeça, hoje é um dia histórico. ” Um minimo movimento consciente “salvou meu dia.”

Seguimos em frente. Um passo de cada vez.

Ahá! Sinto agora a importância de estar sempre criando a minha realidade. Se eu paro de criar, se não peço para as coisas acontecerem, se não coloco uma intenção, se não me movo em alguma direção, nada extraordinário vai acontecer. E se eu quiser um dia calmo, que eu coloque a intenção de um dia calmo onde nada acontece e eu só medito, durmo e escrevo textos. Se não tô satisfeito, que eu crie algo que me satisfaça.

Vamo time! Bora criar essa realidade que queremos!

Só por hoje, por que o agora é tudo que temos. :)