O Sorriso Indicador De Caminhos

EU E O TEMPO PRESENTE

SORRISO INDICADOR DE CAMINHOS B. M. 2016

Quando nos encontramos em um momento da vida, que devemos buscar outros caminhos a seguir seja ao concluir/ingressar uma universidade, terminar/iniciar um ciclo de experiência profissional, um relacionamento ou até mesmo uma mudança mais radical em como percebemos a existência humana é comum ao menos para mim, passar por um período de “hibernação” onde me encontro mais pensativo, um pouco mais retraído, tentando conectar meu mundo subjetivo e experimentar ouvir o que ali consegue soar sobre a vida.

Pensar sobre o curso de nossas vidas, sobre as diferentes decisões que devemos ou não tomar pode ser desgastante, animador, confuso, esperançoso ou até mesmo angustiante. Um leque de diferentes sentimentos dependendo muito de cada particularidade e contexto. Óbvio! E lendo O dia do Curinga de Jostein Gaarder me deparei com uma frase que me deixou bastante pensativo –… “meu conselho para todos os que querem se encontrar é continuar bem onde estão do contrário é grande o risco de se perderem para sempre”… É evidente que essa frase tem todo um contexto dentro do livro, mas gosto dela pelo fato de me fazer lembrar meus primeiros questionamentos sobre o mundo.

Tantos anos já se passaram e é bom relembrar como ainda encontro em mim esse desejo pelo mistério da vida. Mas essa busca tanto me trouxe grandes respostas como muitos outros questionamentos, e percebi o risco de me perder nessa busca ser cada vez mais real.

Dificilmente esquecerei-me de um dia que resolvi tomar um café com um conhecido em uma cafeteria no shopping Bougainville chamada “Café do mundo” que além de oferecer um excelente atendimento ainda oferece o café dentro da livraria ao lado. Juntando o café, a livraria como cenário e um papo bem descontraído, o resultado foi um fim de tarde memorável.

Decidi encontrar esse conhecido ao qual fui apresentado por meio de outro amigo quando fomos assistir a uma apresentação musical no Teatro Sesi dos irmãos Arrais. Daniel Dliver é Mestre em filosofia Política e me deixou fascinado com sua profundidade nas poucas palavras que trocamos quando nos conhecemos. Então percebi que seria uma boa oportunidade para desenvolver um tempo de qualidade buscando debater algumas questões da vida.

Sua descrição e pontualidade foram bem marcantes e falar mais do que ouvir foi uma opção para aquele momento, expor minhas referências autorais e principais influências de pensamento foi a maior pauta de nossa conversa, ele me apresentou alguns autores até então desconhecidos por mim. Egbert Schuurman e David Koyzis serão pensadores que quero me dedicar em futuras leituras.

Conversar com alguém mais experiente e mais velho, sobre as inquietações e duvidas muito parecida com as minhas, me fez imaginar que aquele momento ali era quase que um reflexo temporal, era como se eu imaginasse um eu no futuro aconselhando esse eu no presente, tentando mostrar uma direção para não sofrer tanto com essa busca pela compreensão da existência humana, uma experiência única.

Chamou-me atenção sua definição de amor por meio da disposição em enxergar o bem, para ele o amante se expande para transmitir ao outro o melhor que há em sua imaginação, e isso é uma característica bem marcante do ser humano. Contudo, o que mais me intrigou foi perceber o seu medo de não conseguir perceber e não reagir positivamente ao convite do amor, não conseguindo realizar razoavelmente o potencial que ele possui para florescer. Depois que fui parar para pensar sobre essas palavras, essas definições foram às palavras que estavam em minha mente de forma ainda incompreendida, e encontrar alguém que consegue traduzir essa imaterializarão para você é uma experiência quase surreal.

Depois de nosso café fiquei profundamente tocado com suas palavras, e pude entender essa satisfação por meio da capacidade de ser um condutor e receptor desse experimento, sonhar que temos essa capacidade de gerar em outros um pouco desse aprendizado que ali experimentamos é um de nossos ideais compartilhados para o futuro, e espalhar essa corrente de bondade e amor que é poderosa, vai muito além de uma xícara de café.

Então, eis a questão. Como tenho caminhado rumo a minhas expectativas para esse futuro que já bate em minha porta?

Antes de me ater a essa pergunta, quero descrever um pouco sobre as diferentes transições pelas quais os indivíduos passam. Para alguns, à primeira vista, o modo como percebemos a vida pode ser determinas biologicamente. Esse ciclo de vida humano amplamente aceito pela sociedade visto em um conjunto uniforme e universal de estágios pelos quais todas as pessoas passam que inicia no nascimento, envelhecimento e morte (pós-morte), como alguns acreditam.

Já Vincent (2003), quando se propõe em discutir essas transições utiliza o conceito de curso da vida, em vez de ciclo da vida, reflete o reconhecimento pelos sociólogos de que existe uma variação considerável em diferentes sociedades e ao longo do tempo. Segundo essa linha de conceito os estágios da vida são influenciados por diferenças culturais e também pelas circunstancias materiais da vida das pessoas em certos tipos de sociedades. Esses pensadores entendem que podem existir diferentes estágios e não sendo universais no modo como o curso da vida se dá.

Um bom exemplo para buscar entender esse ponto de vista, é observar como em sociedades ocidentais modernas, a morte costuma ser pensada em relação a pessoas idosas, pois a maioria das pessoas vive mais de 70 anos. Nas sociedades tradicionais do passado, porém, mais pessoas morriam com pouca idade do que sobreviviam até a velhice e, portanto, a morte tinha um significado e um conjunto de expectativas diferentes.

Já outro sociólogo húngaro, Karl Mannhein, fez um forte argumento com relação à influência de gerações específicas na experiência do curso da vida. Para ele as gerações podem ser compreendidas como grupos de pessoas que nasceram no mesmo ano ou mesma série de anos. Mannhein afirma que os indivíduos que pertencem à mesma geração são dotados de uma localização comum na dimensão histórica do processo social, essa localização geracional pode ter tanta influência sobre as posturas e crenças das pessoas quanto a sua posição social. Segundo o autor as gerações tendem a experimentar o mundo, e seu lugar nele, de maneiras bem diferentes, assim podemos falar em conflitos geracionais.

Ainda que busquemos um tutor ou conselhos de como nossa vida pode ganhar uma direção, nosso maior desafio é entender que caminhos historicamente estão vivenciando como organização social e como seres individuais. A escolha para os próximos passos para seguir dependerá muito em como encontrarei uma constante harmonização entre esses dois fatores.

Hoje, quando penso num futuro que é meu presente, tenho em mente que a insistência em buscar significados para minha vida pode estar atrapalhando meu s sonhos a caminharem, o medo de ficar preso nesses ciclos biologicamente definidos por alguns pode estar impedindo de vivenciar o curso da minha vida. E quando recordo como posso seguir um bom caminho para acalmar minha ansiedade, lembro-me de uma foto em que tenho como personagem um homem lavando uma vasilha cheia de carvão com um dos sorrisos que está guardado na minha mente. Espero algum dia chegar à conclusão de que a simplicidade em como se vive vale a pena.

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