ATO 03 - O GUIA DA MOCHILEIRA INTERGALÁCTICA
EU E O TEMPO PRESENTE

Com quase uma semana de atraso, aqui me encontro em frente ao computador tentando escrever meu terceiro ato, apesar da demora foi um enorme prazer poder compartilhar novamente alguns minutos com minha amiga Michelle Bruno, onde a conheci no caminho para Buenos Aires no final do ano de 2014. Nosso “café” foi marcado para o dia seis de Agosto, e tudo que poderia acontecer de errado, aconteceu. Um café sem café e quase uma semana para conseguir escrever sobre o que conversamos. O lugar que marcamos já estava fechando e quando tentamos fazer um café, bem! Melhor não falar sobre isso (risos…), (muitos risos…), que bom que gosto muito de chá de Capim Cidreira.
Conheci Michelle em uma viagem de três dias de ônibus para Argentina, onde seria minha primeira viagem sozinho e também minha primeira aventura fora do país, rumo a um desconhecido muito idealizado; já de início a conheci com suas amigas Ana Rita e Luana. Consegui aprender que viajar sozinho é um dos melhores experimentos para a vida, jamais esquecerei meu aniversário sendo comemorado em uma casa de tango com vista para o Porto Madero, acompanhado por essas três garotas encantadoras, algumas/alguns dançarinas/dançarinos muito sensuais, algumas garrafas de vinho e champanhe e dezenas de pessoas desconhecidas de diferentes nacionalidades batendo palmas para o dia do meu nome. Obrigado por essa experiência Michelle!
Quando percebi a necessidade de escrever, me veio à mente essa dualidade entre nossas expectativas x a realidade, nossos sonhos e como eles não vão se configurando no decorrer do tempo e como é difícil colocar em prática nossas fantasias. Muitas questões a ser pensada, isso com apenas um chá. Se é um desafio conhecer um pouco mais das pessoas próximo a mim, o que dizer de mudar um mau hábito ou criar coragem para enfrentar meus medos e desânimos? As respostas não mais me movem, se continuo a escrever é porque procuro provocar em mim ainda mais questionamentos. E são esses os questionamentos que andam me rodeando. As incertezas também me provocam muito medo, mas as inseguranças ainda me movem diariamente. E é um pouco disso que conversamos. Será que nossa busca por significado e sentido para a vida está em nossos encontros e experiências?
Algo que me emocionou, foi perceber em suas palavras o desejo por experiências reais dentro de um mundo infinito, marcado por probabilidades de ensaios infinitos. A expectativa que nossas vidas sejam canais para impactar outras é um sentimento que compartilhamos e como é bom encontrar essas pessoas por nosso caminho, elas nos proporcionam mais fôlego para continuar com esses ideais quase utópicos. Essa conversa me fez pensar sobre essa relação entre aquilo que criamos como expectativas e como elas vão se configurando. Será que idealizamos um modo de vida que quase sempre projetamos para um futuro que não saberemos quando irá chegar? Marcar a vida de uma pessoa pode ser de forma muito simples, pode envolver apenas um chá de Capim Cidreira.