Não vou entrar no mérito do seu entendimento porque acho que não me cabe ficar atacando suas…
Pedro Cavalcante Oliveira
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Com todo o respeito, Pedro, e acho que o debate está sendo maravilhoso nesse sentido, mas eu não acredito em “liberalismo social”. Me é muito difícil sair da dicotomia liberalismo-socialismo (não o socialismo caricato, mas o do bem-estar social). Se o liberalismo é uma doutrina ou um entendimento ou um pensamento que visa convocar à não intervenção do Estado na organização da sociedade, fica meio estranho em pensar em uma organização que seja liberal e intervencionista ao mesmo tempo.

Eu não domino tanto o debate desse “liberalismo social”, que para mim é tão esquizofrênico quando o “anarco-capitalismo”. Mas vou então pegar um dos autores que você cita, o Friedman. Ele tem uma frase que acho que pode ser o gancho do que estou querendo empreender na discussão:

“Uma sociedade que coloca a igualdade à frente da liberdade terminará sem as duas. Uma sociedade que coloca a liberdade antes da igualdade terá ambas em grande medida. “

Se Friedman, que é uma grande referência do Social-Liberalismo, afirma que a liberdade está à frente / antes da igualdade, é necessário entendermos que liberdade é essa. É justamente esse o ponto que coloco no texto: que liberdade é essa que pode dizer que um gay ou um preto podem andar livremente nas ruas? Não, não podem: há interditos colocados por uma sociedade conservadora que impede esses corpos de andarem nas ruas “livremente”, que impede de “serem o que quiserem”. Eu enveredo pelo pensamento contrário: não é possível pensar em liberdade sem igualdade de fato, sem possibilidade de que, a priori, haja uma garantia do exercício da liberdade — e isso somente é possível a partir de uma equidade, que não nasce da liberdade.

Como você mesmo disse, “garantir os contratos, a segurança, a moeda, a transferência de renda e educação e saúde para os pobres” é, sim, garantir um mínimo. A garantia dos direitos das populações invisibilizadas e marginais está ALÉM desse mínimo colocado pelo liberalismo (ou social-liberalismo). Toda a tentativa de uma política pública voltada a essas populações não seriam formas, sob a lente liberal, de “intervencionismo estatal exagerado”? É necessário que se pense, no caso das “minorias”, estratégias de promoção das diferenças por meio de um processo de equalização e equidade, lidando de maneira igual os iguais e diferentes, os diferentes. Me desculpe, mas na minha parca visão sobre política isso está longe de ser algum tipo de liberalismo, seja clássico ou social.

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