O tempo às vezes decepciona.

Nem sempre nos surpreende. Transforma bons momentos em quase lendas de nostalgia afogada em vinhos não tão elegantes. É que eu me prendi em uma idealização. Daquelas que duram algum tempo. Segundos, horas, dias. Anos. Em tudo, com tal zelo e sempre.

Conjecturas e impossibilidades amarradas à esperança não é uma boa combinação praqueles sonhadores de plantão. Daí o tempo decepciona: não foi capaz de deixar o sonho ir. Mas ninguém disse que havia nisso algum mal. Existem coisas que somente quem sente pode descobrir, e não adianta fazer alarde ou me-escute-pois-tenho-algo-que-não-cala-nunca-por-favor.

Não, favores que não adiantam, porque não vai silenciar o que te passa. Aquilo te torna condenado a cem anos de solidão sem uma segunda oportunidade sobre si mesmo. És o que é pois sentes o que sente.” Vive tua vida com essa utopia que lhe persegue todos os prazeres e todas as sortes. Sê feliz apesar de sua sina. Observa os astros no céu noturno e busca neles algum conforto e alguma conversa“.

“Tem horas que é caco de vidro
 Meses que é feito um grito
 Tem horas que eu nem duvido
 Tem dias que eu acredito.”
— Leminski.

Certo dia invadiu-me a mente uma idealização. E permaneceu lá, às claras. Escondeu-se e voltou com tudo e agora é contínua espaço e tempo e convivência. E ainda dura fiel à minh’alma tudo o que já por ela não falei. E não tenho o direito de interferir.

Não sou obra do realismo mágico colombiano que ‘espera cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com suas respectivas noites ‘ por uma história que tantas vezes já fora escrita mas não sai do papel desde que o papel fora inventado. Sou obra do real cosmos que se manifesta na magia dos dias que passam e nas lembranças revividas mas que ainda tem uma gota de esperança no mar das incertezas.

É o que dizem, “é a vida”, infinita enquanto dura nos amores. E nos amores contrariados mais infinita ainda, pois os dias passam lentos e disfarçados de propósito quando na verdade há algo que reside dentro de ti que deixa-te linear. No teu sonho acordado e no teu sonho a dormir: manifestações daquela parte que te falta e que, cotidianamente, vai te faltar mais ainda até que a morte nos separe ou o Universo decida te preencher com mais arbitrariedades da vida.