Mercado Financeiro #02 — Doença Holandesa

A Doença Holandesa é um conceito econômico que tenta explicar a aparente relação entre a exploração de recursos naturais e o declínio do setor manufatureiro. Para entender o que é a doença holandesa, antes é preciso ter noção de como funcionam as exportações, importações e taxa de cambio entre os países:

A doença holandesa é uma falha de mercado fundamental que se origina na existência de recursos naturais ou humanos baratos e abundantes que mantêm a taxa de câmbio sobre-apreciada por um tempo indeterminado. e, dessa forma impendindo a produção de bens comercializáveis usando tecnologia no estado da arte. É um obstáculo ao crescimento do lado da demanda agregada porque limita as oportunidades de investimento. — Luiz Carlos Bresser-pereira

O termo doença holandesa ou maldição dos recursos naturais foi cunhado para descrever os problemas que surgiram na Holanda nos anos 60 e 70 a partir da descoberta de enormes reservas de gás. O acréscimo repentino de exportações desse produto causou mudanças importantes na economia holandesa. A excessiva apreciação cambial decorrente da renda gerada pela nova descoberta implicou numa retração do setor de bens comercializáveis manufatureiro holandês, que acabou por gerar desemprego e menores taxas de crescimento.

O setor de recursos naturais ocupa o espaço (em termos de capital e trabalho) da produção agrícola e de manufaturas num processo de “crowding out”. A indústria do país volta-se para dentro, especializando-se na produção de bens não comercializáveis que apresentam maior rentabilidade por conta da apreciação cambial. Dependendo da intensidade do processo, a economia se torna excessivamente “inward-looking”, o que também acaba prejudicando seu nível de eficiência devido à ausência da competição que seria encontrada no mercado mundial (Bresser-Pereira, 2007).

De forma prática, (i) O efeito de migração de recursos, onde o recurso abundante irá demandar mais mão-de-obra, o que fará com que a produção se desloque para o setor em expansão e fuja do setor estagnado. Este movimento de mão-de-obra do setor estagnado para o setor florescente é chamado de desindustrialização direta; (ii) o efeito de gasto, que acontece em decorrência da receita extra gerada pelo recurso abundante. Isto aumenta a demanda por mão-de-obra no setor onde não há troca de bens, retirando trabalhadores do setor estagnado. Esta migração do setor estagnado para o setor onde não há troca de bens é chamada desindustrialização indireta. Como resultado do aumento da demanda por bens não comercializáveis, o preço dessas mercadorias aumentará. No entanto, os preços do setor onde há troca de bens são estabelecidos internacionalmente e, por isso, eles não podem mudar. Haverá então um aumento da taxa de câmbio real.


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