O novo bug do milênio: Y2K38
Entre os grandes medos que pairavam a informática nos anos 90, o Bug do Milênio possuía lugar privilegiado na primeira fila. O emblemático problema aconteceria na passagem do ano de 1999 para 2000 (também chamado de Y2K) em sistemas mais antigos, que traziam datas armazenadas com apenas dois dígitos finais.
E se eu disser que o mesmo problema que ocorreu na virada do milênio tiver chance de ocorrer novamente, só que agora em 2038 (Y2K38). A história humana é uma repetição de eventos.
Isso pode ocorrer porque boa parte dos sistemas armazenam os horários em formato POSIX, padrão em plataformas UNIX e na linguagem C. Basicamente o POSIX armazena o tempo em segundos a partir de 01/01/1970 — e se considerarmos um computador de 32 bits, isso vai garantir um armazenamento de data até 19/01/2038 (mais preciso que o calendário maia). Essa configuração pode trazer erros da mesma natureza dos esperados no bug do milênio, ao chegar na data limite, os sistemas entenderão que depois de 2038 virá janeiro/1970.

Claro que isso não é o fim da picada, mas trará uma série de transtornos. Uma das iniciativas é a modernização dos sistemas, incluindo a utilização de dispositivos de 64 bits — o que aumentaria a vida útil dos sistemas em alguns bilhões de anos. Mas isso não é tão trivial, para alguns sistemas que já estão implementados isso pode ocasionar na incompatibilidade dos sistemas. E, hoje em dia, há um agravante em relação ao milênio passado: usamos cada vez mais sistemas embarcados, ubíquos e pervasivos, com tecnologia de Internet das Coisas. Os dispositivos não são necessariamente dispositivos de alta tecnologia, e comumente possuem baixo poder de processamento e memória. Com as necessidades de resposta em tempo real, a sincronização de tempo e registro de horário são importantes, e por isso esse é um assunto fundamental e cada vez mais atual para se pensar as novas aplicações do século XXI.

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