“Feliz é a Nação cujo Zico é o senhor”

O ano de 2015 não foi nada agradável para o flamenguista, muito pelo contrário. Apesar de toda nossa torcida e empenho nas arquibancadas, e uma empolgante sequência de vitórias, que nos colocou mais uma vez na onda do “Deixou chegar” (típico do espírito rubro-negro), o ano terminou com pouco a comemorar, ou quase nada, e muito a lamentar-se.

O descompromisso de grande parte do elenco, dentro e fora de campo, misturado com a falta de comando da comissão técnica e diretoria, fez com que o sonhado G4 batesse com a porta na cara da Nação e, assim, o time não passou de um mísero 12° lugar na tabela de classificação. Algo vergonhoso para um time da grandeza do Flamengo.

Mas, nada do que foi dito acima é algo que o torcedor já não saiba. Por isso, esse não será o foco deste texto. Na verdade, quero falar de algo que faz o rubro-negro sentir-se orgulhoso da camisa que veste, algo que faz brilhar os olhos e acelerar o coração, que faz sentir vontade de voltar ao Maracanã todos os domingo. Quero falar de Zico.

Ao assistir o Jogo das Estrelas fiquei impressionado com o quanto o Galinho tem a capacidade de mexer com os sentimentos rubro-negros. Mais impressionante ainda foi perceber crianças, que sequer chegaram perto de vê-lo em seu auge, se emocionando e o reverenciando como um verdadeiro rei. Aliás, parabéns aos pais dessas crianças, vocês estão ensinando muito bem seus filhos sobre “como ser Flamengo”.

No fundo eu as entendo, pois, apesar de não ser mais uma, também não tive o privilégio de ver Zico jogando, e mesmo assim me emociono quando ele está em campo, ainda que seja com muitos anos e quilos a mais do que quando brilhou com o manto sagrado. Lamento a cada gol perdido e vibro com cada gol marcado, e por vários momentos me imagino na geral do Maraca, entre os anos 70 e 80, gritando “Rei, rei, rei, o Zico é nosso rei”.

Sinceramente, não faço a mínima ideia de como explicar todo esse sentimento de idolatria, possivelmente seja algo que não possa e nem precise ser explicado, apenas sentido. Apenas vivido.

Talvez o que o torne um ídolo incontestável entre todas as gerações, além é claro de sua magia dentro de campo, seja o fato de que Zico sabe o que ele significa para nós. Ele sabe de sua importância, mas, no final de tudo, toda essa idolatria não é capaz de ensoberbece-lo. Zico se mantém humilde, como se ainda se sentisse na obrigação de provar pra todos nós que ele merece ser um ídolo. A cena dele, no final do jogo, dando volta no Maracanã, tirando fotos e saudando a quem fosse possível, demonstra isso.

Confesso que tal cena me deu certa vontade de chorar, 1% de tristeza, por lembrar que nossos atuais jogares não fazem nem questão de agradecer ao apoio recebido da torcida durante os 90 minutos. Mas aquele 99% de alegria, por saber que, na verdade, é esse o cara que representa meu time.

Zico é unanimidade (desconfie de alguém que se diz flamenguista, mas não “curte” o Galinho) e consegue, como ninguém, nos fazer sentir orgulho de sermos rubro-negros. Até a FlaTT, que ainda sofre com resquícios da eleição colorida, teve, por uns instantes, momentos de paz e união. E olha, precisamos fazer mais isto, heim.

A genialidade de Zico é tamanha que, aos 62 anos, ele ainda é capaz de fazer o mais antigos dizerem “Ah, que saudade dessas jogadas”, ao mesmo tempo em que os mais jovens, boquiabertos, pensam “Então era assim que ele fazia”. E no final todos saem do estádio com a mesma sensação. Sensação de saudade, traduzida nos versos da canção de Moraes Moreia, Saudades do Galinho:

“E agora como é que eu fico nas tardes de domingo, sem Zico no Maracanã?”

O Galinho é tão grande, que consegue despertar sentimentos até em torcedores adversários, mas nesses o sentimento é de ódio, é claro. Prova disso, foi a quantidade de recibos passados por tricolores, botafoguenses e vascaínos. Todos tentando desmerecer os feitos do Galinho, ou o comparando com outros jogadores de seus times. Na verdade, eu até entendo tamanho rancor, não deve ter sido fácil sofrer tanto nas mãos, ou melhor, nos pés do nosso camisa 10.

Ainda assim, fica aqui o meu conselho: queridos rivais, não façam isso com vós mesmos, se poupem de passar por essa vergonha.

Já aos amigos da imprensa deixo um pedido: por favor, aposentem esse discurso de que nenhum jovem da base vinga por que sempre esperamos um novo Zico. Isso não é verdade, pois sabemos que, ainda que surja alguém tecnicamente parecido com o rei, ninguém jamais será como ele. Zico é o retrato do rubronegrismo existente em cada um do 40 milhões de flamenguistas. Zico é único, e nada o substituirá (e nem queremos isto), pois como disse a rubro-negríssima @abzayat, em uma de suas twittadas: “Feliz é a Nação cujo Zico é o senhor”.

Saudações Rubro-negra!

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