Monólogo a dois
Pode ser. Coloca o copo aqui. O de chá. Isso. Você lembra? Como pode? A gente muda mais por fora? Não fala assim, sou velho demais pra isso. Eu lembro. É lógico que eu lembro. Não fala assim. Tá me vendo tremer? Só você fez isso comigo até hoje. Você continua linda. Não. Você sabe que eu não minto. E esse sorriso? Não existe lá e aqui. Isso que a gente passou, nossa história toda, é uma coisa só. Aí é que você se engana: nada tem ponto final. Você se lembra do limão no chá. Você lembra de me ver tremendo na porta da sua casa. Não, não, não. São dessa vida. Olha aqui: batendo os dentes. Deixa eu provar? Me dá sua mão? Fecha os olhos, fecha. Não é besteira. Fecha por favor. Deixa eu sentir seu carinho mais uma vez? Tá sentindo o sol no seu rosto? Eu falei pra você: nada tem ponto final

