Arthur Verocai — No Voo Do Urubu

Nos anos 1970, o maestro Arthur Verocai se consagrou como um dos principais arranjadores do país ao trabalhar com grandes nomes da música, como Marcos Valle, Elis Regina, Jorge Ben, Célia, Erasmo Carlos, entre outros.

Devido ao seu sucesso como arranjador do disco “Agora”, de Ivan Lins, foi convidado pela gravadora Continental para gravar um LP solo. Então, em 1972, lançou seu disco homônimo com a ideia de misturar ritmos brasileiros com soul e jazz, trabalhar instrumentos clássicos de cordas com música contemporânea. Com um time impressionante de músicos, Verocai reuniu Robertinho Silva (Som Imaginário), Oberdan Magalhães (Banda Black Rio), Edson Maciel (Sérgio Mendes, Milton Nascimento) para conseguir gravar estes sons tão inovadores e diferentes. Infelizmente, o disco não fez muito sucesso na época, mas foi redescoberto nos anos 2000 pelos rappers Ludacris e MF Doom ao usarem samples de Verocai em suas músicas e assim, ganhou o mundo e tornou-se objeto de desejo entre os colecionadores de vinil.

Agora, mais de 40 anos depois, o maestro reúne outros grandes nomes da música como Criolo, Mano Brown, Danilo Caymmi e Lu Oliveira para gravar seu novo disco “O Voo do Urubu”. Magnífico e com melodias emocionantes, este álbum é um dos melhores lançamentos do ano. A primeira canção, “No Voo Do Urubu”, é uma parceria com Seu Jorge embalada com um groove bem interessante que mistura metais e cordas de um jeito único, algo que só o maestro conseguiria.

A canção “Oh, Juliana!” conta com a voz grave e suave de Danilo Caymmi, letra apaixonada, melodia tão envolvente e doce quanto a musa da canção, além de um belíssimo solo de violão. Depois, a música “Minha Terra Tem Palmeiras” possui letra do falecido — e grande — Paulinho Tapajós e com certeza ganharia título de clássico se tivesse sido lançada na década de 70.

“Cigana”, com a participação de Mano Brown e “O Tambor”, uma co-criação com Criolo, mostram que o sonho de Verocai de misturar cordas com música contemporânea deu muito certo. O rap dos dois cantores flui e combina muito bem com a pegada funk/soul do maestro, provando que é possível agregar todos estilos de música e assim, somar à música. No fim do disco, temos o groove mais interessante de todos com a faixa instrumental “Na Malandragem”, que possui uma “disputa” muito bem desenvolvida entre flauta e saxofone.

“No Voo Do Urubu” é um disco que combina duas gerações de músicos no Brasil para chegar num resultado impressionante. E que esse voo de novas composições tão interessantes continue por muito tempo.

Escute o disco na íntegra aqui embaixo.

https://www.youtube.com/watch?v=YDXQ6Z3juTM

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