Segue o Som: Jhonny Marr está de volta para animar suas playlists

Desde o fim do The Smiths, no final dos anos 1980, os fãs da seminal banda do indie rock britânico puderam acompanhar uma prolífica carreira solo de Morrissey, vocalista e compositor do grupo. Já Jhonny Marr, seu super guitarrista e também compositor, manteve-se ocupado como colaborador em diversos projetos. Demorou mais de 20 anos para que ele se assumisse como frontman e investisse em sua própria jornada solo. Isso aconteceu em 2013, com o lançamento de The Messenger. Call The Comet, lançado recentemente, é o seu terceiro trabalho dessa empreitada. É também seu melhor momento como cantor.
O álbum é bastante honesto, no sentido de apresentar aquilo que Marr faz de melhor. Sons de guitarras tocados com excelência e canções típicas da cena pós-punk do Reino Unido nos anos 1980. Não é exagero dizer que há faixas para fazer parte de qualquer playlist dedicada ao indie oitentista.
Se o seu negócio é o rock de bandas como Echo And The Bunnymen, então “Rise”, que abre o disco (aliás, uma grande canção de abertura) é para você. Com guitarras pesadas contrastando com a levada lenta da bateria e os vocais melódicos e calmos de Marr, a faixa é bem marcante. Em “Hey Angel” o ritmo é mais animado e o riff de introdução lembra um pouco o estilo de Noel Gallagher, um de seus grandes amigos e fãs. O refrão é ótimo para cantar em grupo, gritando. Para essa playlist, também considere “The Tracers”.
Caso esteja preparando uma coletânea para animar uma festa cheia de fãs do indie mais dançante, a lá New Order, cheque “My Eternal”, com uma batida eletrônica frenética, teclados dando o tom e uma guitarra mais funkeada. Também dê uma chance a “New Dominions”, que tem um andamento um pouco mais lento, mas é uma canção que vai crescendo em intensidade com o passar dos minutos.
Se você é daqueles que ainda têm esperanças de uma reunião do The Smiths, “Day In Day Out” e “Hi Hello” são perfeitas. A primeira traz a base acústica sobreposta por riffs de guitarra dedilhados, marcas de Marr em seu tempo na banda, e o refrão mais pop e pegajoso do álbum. A segunda lembra demais o clássico “There´s a Light That Never Goes Out”. Em seus vocais, Jhonny parece emular um pouco o estilo de Morrissey, inclusive arriscando algumas passagens de graves para agudos (e acertando-as muito bem).
Talvez o melhor momento de Call The Comet seja “Walk Into The Sea”. Isso porque essa belíssima faixa destaca-se em meio a todas as claras referências que compõe o disco, apresentando uma característica própria. Não é que não possamos ouvir as influências oitentistas nela, mas elas formam algo um pouco diferente. Uma introdução em piano com vocais soando como música gospel precede a entrada de uma guitarra distorcida que acompanha Marr declamando a letra de maneira bastante enérgica. Tudo isso leva a um marcante, porém simples, solo.
Call The Comet, de fato, não apresenta nada novo, mas isso não é, necessariamente, algo ruim. O álbum mostra uma clara evolução de Jhonny Marr como vocalista, por exemplo. São suas melhores performances vocais desde sua estreia em The Messenger. As canções, apesar de serem todas auto-referenciais, são muito bem construídas e executadas. Mesmo que o disco não venha a se tornar um clássico, é tranquilo afirmar que várias de suas faixas estarão animando vários tipos de playlists.
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