Segue o Som: Paul Weller novamente muda os rumos de sua música em disco reflexivo

Em True Meanings, Paul Weller deixa um pouco de lado o rock e as experimentações eletrônicas e mostra lado mais acústico e lírico

Paul Weller fez de novo. Com 60 anos recém-completados o artista inglês acaba de lançar True Meanings, 14º disco de sua carreira solo (26º ao contarmos seus trabalhos com The Jam e com The Style Council). Mais do que isso ele, novamente, apresenta uma mudança radical em sua sonoridade. Se com Sonik Kicks, lançado em 2012, apresentava experimentações com sonoridades eletrônicas modernas e com A Kind Revolution, lançado em 2017, uma volta ao rock influenciado por soul que o marcou no início dos anos 1990, em True Meanings Weller revela seu lado acústico, extremamente melódico, o que resultou em uma coleção de algumas de suas mais belas composições nos últimos 20 anos.

Para os que conhecem a carreira de Paul Weller (e para os que leram o perfil especial feito pelo Segue o Som em homenagem ao seu aniversário de 60 anos) nada disso é novidade. Tanto sobre sua produção prolífica (A Kind Revolution foi lançado há pouco mais de um ano) quanto sobre sua inquietude na busca por diferentes maneiras de se expressar musicalmente. É possível fazer críticas duras sobre alguns de seus trabalhos, especialmente certos lançamentos no final dos anos 1990 e no final dos anos 1980. Mas nunca seria justo acusá-lo de se acomodar dentro de uma zona de conforto. Weller parece ter ojeriza de acomodação.

Após dois discos bem recebidos por público e crítica, e bem diferentes entre si, True Meanings não tem nada a ver com seus antecessores. Poderá ter, pois provavelmente também será bem aceito por seus fãs e pela imprensa especializada. Talvez até melhor aceito.

Neste novo álbum Weller deixa de lado sua guitarra e sua busca por sonoridades experimentais para abraçar os instrumentos acústicos. O resultado é belíssimo. Isso porque True Meanings não é apenas mais um disco de pop rock acústico, com as típicas levadas de violão popular. Os arranjos são bastante refinados e interessantes. Um instrumento não se sobrepõe aos outros. Cada um parece ter seu papel específico e importante nos momentos em que aparecem. Dessa forma cada incursão de um riff de violão, de um solo de piano ou de um interlúdio de cordas soa especial. Nesse sentido, a utilização certeira de momentos de silêncio nas faixas torna-se fundamental para criar as ambientações exatas para cada canção.

Em termos de referências musicais é possível afirmar que o folk, tanto o americano quanto o britânico, é peça fundamental do som de True Meanings. Mas cada faixa conta com toques especiais de outras influências, como o violão blues em “The Soul Searchers”, a pegada soul em “Mayfly” ou o piano e bateria jazzísticos em “Old Castles”. “Gravity” é praticamente uma canção de ninar, mas com lindo arranjo de cordas e um vocal extremamente emocional e emocionante. Aliás, os vocais de Paul Weller merecem um destaque especial. Ele sempre foi reconhecido como um bom cantor, mas sua performance vocal neste álbum atinge um novo nível. Provavelmente a melhor de sua carreira de mais de 40 anos.

Há momentos em que podemos identificar invocações de The Beatles, David Bowie e Bob Dylan, mas, ao mesmo tempo, percebemos referências de canções célticas e música medieval, como em “Come Along”, o que faz de True Meanings um de seus trabalhos mais autorais. Isso não é pouco quando falamos de Paul Weller. Suas letras aqui também são algumas de suas mais pessoais. Em vários momentos reflete sobre envelhecer e sobre seu lugar no mundo. Algo significativo para um artista de 60 anos de idade.

Paul Weller já fez punk, pós-punk, new wave, soul, jazz, r&b, pop, rock, britpop e eletrônica. True Meanings não é nada disso. É belo, calmo e emocionante. Desfrute sem pressa, de preferência através de um bom fone de ouvido.

Segue o Som recomenda as faixas:

  • “The Soul Searchers”
  • “Mayfly”
  • “Gravity”
  • “Aspects”
  • “May Love Travel With You”
  • “White Horses”

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