Sobre lados

Dizem que o Lula— ou a Dilma ou o João Santana — dividiu o Brasil. Eu queria agradecê-lo(s). Não que isso tenha sido feito de caso pensado ou por altruísmo. Mas eu queria agradecer, mesmo assim.

Porque a gente pensa de forma binária e se esquece disso. Ou finge esquecer. E se a gente pensa assim não é porque é burro não, a gente pensa porque sempre ensinaram assim. É Deus & Diabo, direita & esquerda, errado & certo, rico & pobre, Bruno & Marrone. Não tem jeito. Vai ter gente dizendo “é, mas não é preto no branco, são 50 tons de cinza”. E aí eu te digo: isso aí é putaria — que vem acompanhada do seu oposto, o pudor. Tem um ditado que diz que não existe meio grávida: ou tu tá ou não tá. Eu não tô.

Pensar assim pode ser simplista, mas a gente não é nenhum geniozão não, a gente rotula a maior parte das coisas dessa forma e segue a vida assim. E se é possível ter nuances entre dois opostos, o contrário é impossível: não tem essa de despolitizado, sem ideologia, contra-tudo-que-aí-está-pelo-bem-de-todos. Se tem alguém em cima do muro é porque ele veio do outro lado e vai pular na tua cabeça.

Então não tem essa de ser a favor do voto do Bolsonaro mas contra o fascismo dele, ou contra Eduardo Cunha mas a favor da sua impoluta condução do processo de impeachment. Tudo tem um lado. Fica esperto, pensa bem qual é o teu.

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