Negócios de Impactos Espirituais

Uma análise sobre startups e empreendedores de impacto espiritual, lucro e como melhorar a cidade através do mercado

Quando comecei o serviço da Equipar & Inspirar — coaching e mentoring de líderes espirituais — em janeiro de 2013 eu mal sabia o que estava começando ali. Nunca tinha trabalhado em incubadoras, mentorias ou aceleradoras, nem me aprofundado muito na teoria de negócios de impacto social, mas algo me chamava a atenção.

"Por que não interpretar se ajudo esses líderes ou não de acordo com o impacto espiritual que eles podem causar na sua comunidade?"

De acordo com essa métrica, estes poderiam ser empreendedores, pastores, bispos, músicos, apóstolos, empresários, profissionais liberais…

Também não sabia quem eram os players que atuavam no Brasil ou no mundo, na verdade, não conheço ninguém que providencie conteúdo e direcionamento efetivamente de linguagem cristã medindo impactos espirituais/sociais voltado para a significância e monetizar essa visão.

Eu tinha, porém, aprendido algumas coisas construindo com uma curta experiência e temporada com líderes e pastores de nível global em Orlando e Miami em igrejas e conferências com o John Maxwell (https://www.eventbrite.com.br/e/certificado-de-coach-brazilian-leadership-tickets-33513389450 ) , principalmente como unir espiritualidade, liderança e empreendedorismo e como conectar o que as pessoas buscam com o que os ministérios tem a oferecer.

Acima de tudo, ficou muito claro pra mim, depois de ver o impacto de ter trabalhado com a generosíssima consulesa da França e o Ministério Apascentar do RJ, que eu tinha entrado num caminho sem volta: seria impossível dali pra frente trabalhar em qualquer projeto ou empresa que não contribuísse para o mundo/Reino que desejo viver.

A maneira mais clara que eu poderia fazer isso era ajudar com o meu conhecimento as ideias, projetos e negócios que contribuíam na construção de um mundo mais próximo do Reino, sobrenatural e coerente. Foi assim que surgiu o coworking Reino.

Agora convenhamos que essa definição de unir empreendedores cristãos que visam trazer o Reino dos céus até a terra também por meio de empreendimentos com impactos espirituais/sociais é um pouco vago, né?

Aos poucos vamos direcionamos nosso foco na definição de que projetos queremos apoiar, assim como criamos e melhoramos a nossa metodologia de mentoria, que hoje está bem mais afiada.

Quanto mais a gente faz o que faz, mais enxergamos os desafios de abrir caminho nesse matagal sem track record e cheio de desafios. Abaixo alguns pensamentos nesse cenário atual…

Crie seu próprio "emprego". Algo que ninguém nunca fez antes…

Mesmo quem tem experiência no mercado, construir um negócio escalável focado no impacto espiritual e nas demandas do Reino é desafiador: modelos de negócio que ainda precisam ser validados, falta de recursos e apoio e falta de conhecimento do público.

Até hoje, não existe um exemplo claro no Brasil de empreendimento espiritual que escalou e gerou retorno financeiro e impacto em grande escala. Para ter resultados espirituais e de breaking even, um empreendedor maduro vai levar facilmente de 3 a 5 anos com apoio. Um mais iniciante e com menos capacitação (ou privilégio) pode levar bem mais que isso pois existem barreiras educacionais, culturais e de acesso a recursos. Quando se trata de apoios espirituais, elevamos a fé para o lado da competência.

A maioria das pessoas que resolveram criar empresas de apoio ao empreendedor espiritual no Reino, como eu com Hub Reino (que antecede o coworking), também nunca fizeram isso antes. Saíram de seus empregos mais tradicionais movidos por um incômodo de fazer o que acreditam com os talentos que possuem.

Só que é tanto trabalho que cada um faz o que consegue, do seu jeito, sem muito tempo pra conectar e encontrar como cada esforço pode potencializar a criação de um ecossistema forte e coeso.

O que me leva ao segundo ponto…

Como criar um ecossistema espiritual

Não se discipula cidades somente pela igreja. É impossível e temos visto isso há 500 anos. Porém com a igreja, a escola, as artes, o mercado…aí sim, com todos esses players conseguimos discipular uma cidade. Daí a necessidade de deixarmos a religiosidade de lado para entender que alguns foram chamados como evangelistas,profetas, mestres e etc. mas que esses ministérios se traduzirão em suas profissões, em suas paixões, em suas áreas de atuação. Podemos melhorar muito a qualidade das cidades se melhorarmos o mercado: criarmos um mercado mais justo, entrarmos no mercado na igreja como santos, que acordam e fazem negócios entre si, elevando a qualidade de vida. Se igrejas e líderes apoiarem e fizerem conexões para além das 4 paredes, como conexão de incubadoras, aceleradoras, fundos etc entre si e com o empreendedor espiritual, aí sim as coisas mudam.

Como criar esse relacionamento é uma arte e uma questão de conexões divinas, até. É um desafio. Hoje todos precisam entender que seus negócios são multi-content, precisando de outros canais, cross content e principalmente aceitando conexões para ampliar seu alcance. Isto é criar um ecossistema de Reino. Acho que o caminho é por aí: como criar uma rede coesa e complementar, que potencializa cada negócio dentro do seu propósito e dá ao empreendedor, como consequência, um apoio mais robusto para alcançar seu impacto espiritual.

Pouco investimento

Se no mercado natural o investimento já é escasso por conta de burocracias, no "mercado espiritual"essa dificuldade ganha um plus. Todos precisam de um "Boaz"(patrocínio, incentivo, doação, investimento…) mas as coisas só começam a acontecer depois que você coloca o pé na água…

Antes de buscar apoiadores ou early adopters para cruzar seu abismo em caminho à significância, você precisa tracionar seu negócio(tem modelo de negócio validado, clientes e busca escalar com uma “injeção” de dinheiro). Acredite, existe dinheiro para patrocinar seu negócio de impacto espiritual, a questão é de alinhamento e posicionamento.

Você está falando a mesma língua que eles?

A dificuldade de chegar nesse estágio de tração é enorme, e sem ajuda , se conseguir, conseguirá perdendo dinheiro e num tempo muito maior e desnecessário. O empreendedor espiritual tem tantos desafios no início que para chegar no estágio de ser atraente pra um investidor anjo/Boaz tem que passar por muitas barreiras.

A burocracia financeira, contábil e tributária que temos no Brasil; a falta de recursos para o empreendedor se manter vivo financeiramente até que consiga entender o caminho pra um modelo de negócio escalável e sustentável; e a falta de informação sobre possíveis caminhos e fontes de apoio e desenvolvimento. E é nisso que não podemos dar mole.

Somos sérios em incentivar negócios espirituais de verdade?

Que tal criar um fundo de investimento que oferece não só investimento em vários estágios, como empréstimos com taxas abaixo do mercado para empreendimentos espirituais. Tudo que o líder deve demonstrar além de seus business plan é sua capacidade de re-pagamento, moral, testemunho na comunidade, fibra ética e habilidades de gestão mesmo que em estágio inicial. Isso poderia ser oferecido por algumas igrejas, também, como fomento à inovação espiritual ( como você sabe, a igreja é vanguarda em relacionamentos e outras inovações).

Grandes líderes também poderiam investir/doar s pra empreendedores early stage (estágio inicial) fora o apoio com a rede e benefícios vendo o que é necessário de contra-partida. Hoje precisamos entrar no mercado.

O propósito como Equipar & Inspirar no Coworking Reino é desenvolver o empreendedor espiritual que está no início da sua jornada: nas validações iniciais do mercado, do modelo de negócio e do produto ou serviço, conexões, achar sua identidade/alma, modelos de negócios… Acreditamos que um ecossistema que privilegia o Reino é a única saída para o nosso país.

Nem sempre o lucro aparece nas movimentações financeiras, é verdade. Mas a estratégia inicial é montar e ver até aonde vamos.

Afinal de contas, o que é impacto espiritual?

É unir a promessa de uma pessoa com as demandas de suas comunidade local. Resolver problemas e criar seu potencial de escalabilidade e monetização, mas também gerar lucro. O que é feito com o lucro deve ser decidido pelo empreendedor, já que foi ela ou ele que tomou o risco inicial. Mas algo pode ter impacto espiritual como serviço/produto da startup ou como o lucro revestido para causas espirituais como ajuda ao próximo, escolas espirituais, missionários e outras metas que visam construir um reino.

Impacto social vai desde gerar renda e empregos, bancar missionários, igrejas, escolas… soluções e produtos que fazem bem ao mundo… — pra listar algumas coisas.

Um negócio de impacto espiritual é criar uma empresa (e ter lucro!) que resolva um dos problemas que certa parcela da população tem aliado ao cumprimento de uma promessa individual na vida do empreendedor.

“Se alguém almeja viver em santidade, que viva de acordo com as leis do comércio e do mercado” Talmude

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Aqui tem um mapa de gente que pode te ajudar com isso, um livro para você saber mais sobre esse negócio e um ingresso para você entrar nesse eco-sistema espiritual.

A pergunta é: quanto tempo mais vamos ter que esperar para você vir nessa com a gente?

Aqui,

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