Nosso destino escrito nas estrelas

Destino, personalidades, zodíaco, temperamento, fatalismo, calendário hebraico, bíblia, Cristo, judaísmo... Tudo isto num só texto.

Sempre fui avesso ao zodíaco, leituras cósmicas ou coisas do tipo. A simples ideia de acreditar que o cosmos ou astros influenciavam na formação e conjunto de caracteres de uma pessoa nunca me pareceu razoável. Sempre fui um crente, mas nesse caso, totalmente cético.

Magnetismo, mapas astrais, astrologia X astronomia, da interferência da Lua nas marés e até a sugestão de quando é melhor para você cortar o cabelo. É inegável que muita gente se norteia e passa por um processo de auto-conhecimento à luz das definições do zodíaco. Puramente e simplesmente assim: "nasceu tal dia, será de tal jeito.".

Para mim essa frieza e "inpessoalidade" não faziam sentido. Mas quanto mais observava, estudava, calava e via esse "fênomeno" que se arrasta e em tese explica um sem número de circunstâncias, mais via fazer sentido em algumas coisas.

Como já me disseram:

"Todo mundo de gêmeos é maluco", ou

"Virginianos são perfeccionistas", ou

"Quem nasce em Janeiro não tem coração"…

Entre tantos absurdos como esses e tantas outras definições e sugestões de temperamentos sérias à luz da astronomia, percebemos que na maioria das vezes, a definição da característica com o sujeito dá certo!

Vale lembrar aqui que não estou falando da leitura de futuro, a qual sempre associamos a leitura de mão e misticismos afins, estou tratando simplesmente de seu temperamento ter a ver com seu signo regente referente à sua época do nascimento e o fato de pessoas e povos ao longo de muito tempo acreditar nisso somado ao fato de isso fazer sentido em muitas circunstâncias com muitos exemplos.

Sou cristão, avesso a ideia de que qualquer coisa externa interfira numa decisão minha interna. É claro que circunstâncias e experiências influenciam minhas decisões, mas daí para terceirizar minha responsabilidade de ser do jeito que sou por causa de um "um formato de um boi no céu no esquema ligue-os-pontos", já é demais.

Mas você lembra dos três reis magos?

Quem eram na realidade esses Reis Magos? De onde vieram? De acordo com historiadores, eles eram sacerdotes-astrônomos de umas tribos lá.

Ps: para os cristão ortodoxos, ao invés de três, foram 12 reis magos que levaram o presente, concluindo assim a profecia acerca do nascimento de Cristo. Olha a encrenca!

Os magos parecem ter sido uma tribo que exercia primordialmente funções sacerdotais. Pelos helênicos foram considerados como os sacerdotes dos iranianos e mais tarde, pelos romanos, como sacerdotes de Zoroastro. Eram conhecidos como notáveis sacerdotes dedicados à adoração dos astros, cujo movimento aparente conheciam com grande precisão para as suas atividades religiosas. Eram, na realidade, astrólogos, intérpretes de sonhos e adivinhos. O vocábulo “magia”, de origem grega, significava inicialmente “trabalho de magos”.

Em várias partes do mundo os Magos são festejados e celebrados, inclusive aqui no Brasil. Sua festa é conhecida como a Festa de Santos Reis, importante manifestação cultural brasileira e celebrada todo dia 6 de Janeiro. E não por acaso, esse também é o dia em que comemoramos o Dia do Astrólogo!

Há quem diga que o interesse dos antepassados desses magos começou quando, na Babilônia, Daniel foi um vivo testemunho do poder do Deus de Israel, chamando tanto a atenção daqueles magos ali presentes naquele império, que desde então, por interesse genuíno eles teriam se dedicado a examinar a profecia de que um menino-messias nasceria e seria anunciado por uma estrela.

Ou seja: é inegável o fato das estrelas, astros e cosmos dialogarem ou interferirem conosco ao longo dos séculos!

Mas como (tentar) explicar esses fatos, ou, o que a bíblia, ou a cultura judaico-cristã / os cristãos do primeiro século diriam sobre isso?

Vamos por partes:

O judaísmo não duvida que há um sistema inteiro no universo de astros e planetas que exercem influência sobre as criaturas. O Talmud enfatiza: “Malchuta deará ke’en malchuta derakiá”, “O reinado aqui é um reflexo do Reinado Celeste”.

Da tradição oral à Kabalah, todos passam pela influência e estudo do celestial como influenciador do terreno.

Desta forma, astros e planetas influenciam criaturas e o astro (mazal) poderia tornar a pessoa mais rica e mais sábia. Sabemos também que as marés, as estações e clima ao longo do ano, e até memso o ciclo menstrual dependem dos planetas. No entanto, ao receber a Torá no Monte Sinai, o povo judeu foi colocado acima destes mazalot. O que vem a ser mazalot?

Há doze meses judaicos, doze signos do zodíaco, denominados mazalot, e doze tribos de Israel. E entre eles há uma estreita afinidade e correlação.

Segue aqui a relação das tribos, meses e signos.

Nissan — Áries — Yehudá
Iyar — Touro — Yissachar
Sivan — Gêmeos — Zevulun
Tamuz — Câncer — Reuven
Av — Leão — Shimeon
Elul — Virgem — Gad
Tishrei — Libra — Efraim
Cheshvan — Escorpião — Menashe
Kislêv — Sagitário — Binyamin
Tevêt — Capricórnio — Dan
Shevat — Aquário — Asher
Adar — Peixes — Naftali

O mês de Nissan, cujo símbolo é Áries (carneiro), representa a tribo de Yehudá, que é a dinastia que gerou o rei David. Os reis, os monarcas, os líderes, são sempre descendentes da tribo de Yehudá, inclusive Mashiach (Messias). “Hachodesh haze lachem rosh chodashim”, “Este mês será para vocês o líder dos meses”, como escrito na Torá coloca o mês de Nissan como o primeiro da lista. A palavra “lachem” (para vocês) tem as mesmas letras que Melech,que significa rei. Nissan, também representa o cordeiro pascal de Pêssach, onde também se vê a conotação com seu símbolo, o carneiro.

E por aí as explicações vão se sucedendo.

E assim ocorre com os demais meses completando o ciclo.

Mas algo importante começa aqui:

Apesar de os demais povos não receberem nenhuma proibição sobre consulta aos astros, o povo de Deus foi proibido de recorrer a este instrumento. O Zohar, menciona que

“O povo de Israel ficou sob a influência dos astros até a outorga da Torá no Monte Sinai. A partir do momento em que recebeu a Torá, o povo deixou de depender dos estrelas e constelações. Obviamente, quando alguém se afasta dos caminhos da Torá, volta a receber esta influência natural dos astros.”

Conforme estabelecem nossos sábios: “Ein mazal le Israel”,

“Não há mazal (influência astral) ao povo de Israel”. Pois esta pode ser mudada drasticamente através do livre arbítrio e de bons atos praticados.

A Torá traz: “Tamim tihiê im Hashem Elokecha.”, “Seja íntegro com o Senhor, teu D’us” (Deuteronômio 18:13) o que exclui a possibilidade de recorrer a astrólogos ou orientar-se através de horóscopos.

Ou seja, a espiritualidade cristã não ignora os sinais ou influências astrais, ela simplesmente diz que quem está em Cristo é:

1- Nova criatura, ou seja, todo inprint cosmológico cai por terra quando assumo esta nova identidade.

2- está sentado nas regiões celestiais com Cristo, aonde a influência das estrelas não está mais sobre você, e sim sob você.

Já no novo testamento existe a alusão a não ser levado por doutrinas deste tipo. A sugestão então é para que os astros continuem servindo para definir as estações, orientar embarcações, etc. Nossa bússola é outra.

Para aqueles que se sentem escravos do zodíaco ou usam como uma bengala temperamental a data do seu nascimento, "e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará".

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