Diário da Depressão: O que aconteceu nos últimos meses.

Em Setembro, levado pela onda do “Setembro Amarelo” acompanhado por um colapso depressivo terrível (o segundo), eu decidi falar para todos sobre a doença que me acometeu.

Eu sempre deixei claro que eu achava depressão frescura. Até ter. É uma doença terrível que é fatal em muitos casos (muitos mesmo). Os suicídios são só a ponta do iceberg.

Escrever um diário nos primeiros dias foi muito importante para a minha recuperação. Ter que pensar no que eu estava sentindo para ter o que escrever foi um exercício de reflexão essencial. Mas o mais importante foi o apoio de muitas pessoas, muitas vezes improváveis, nesta hora tão difícil.

Falar sobre isso ainda é muito tabu e sinto que contribuí um pouco para quebrar este tabu. Admitir que você tem uma doença como essa é um ato de coragem pois você se sente fraco, inútil e tem medo que julguem a sua doença como frescura (exatamente como você fazia).

A depressão leva você para lugares muito profundos. Para um poço que parece não ter fim. Você só cai e quando acha que não pode cair, cai mais ainda. É horrível! Parece exagero, mas a depressão profunda é uma luta diária pela sobrevivência.

Mas aí aparecem algumas pessoas que dizem “Você não está sozinho!”. Aparecem pessoas sugerindo possíveis soluções: igrejas, meditação, terapias orientais, etc… Métodos alternativos que não fazem sentido para mim, mas não julgo pois sei que são métodos que ajudam muita gente. Até porque se não ajudassem, não indicariam para os outros né?

Eu optei pela ciência. Pela medicina. Tomo remédios para reequilibrar a minha serotonina diariamente e terei que ficar sempre de olho nisso. É como se você tivesse diabetes no cérebro e tivesse que vigiar a sua glicose. A medicação fez com que eu parasse de cair neste poço sem fim.

Depois começou a escalada de volta à luz. Que processo incrível! Você vê e percebe coisas sobre você que você tinha esquecido. Passa a sentir alegria nas coisas mais simples. A primeira, obviamente é por ainda estar respirando. Depois, você fica feliz até por sentir o nordestão do litoral gaúcho. Mesmo com todo aquele vento, a areia entrando na boca, o pé naquele mar tom nescau gelado. Um abraço, um beijo, um “como você está?”

Você aprende que você não tem controle sobre nada, sobre o resultado de nada. O máximo que você pode fazer é dar o seu melhor para viver bem e ser feliz.

E é isso que me guia hoje: ser feliz.

Mas a felicidade só é completa quando ela é compartilhada. Por isso, se por algum momento você se sentiu bem em ler meus textos, em ouvir as minhas palavras, em me abraçar, em falar comigo no facebook. Se por um instante sequer você sorriu, se divertiu, chorou de felicidade, se sentiu confortado ou acolhido por alguma coisa que eu fiz…

Tudo valeu a pena e fazer isso de novo é o que me moverá a seguir fazendo o meu melhor!

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