[cromáticos de cor e verso]

Bruno Eliezer
Jul 10, 2017 · 1 min read

cromáticos de cor e verso

Vozes das pedras, da chuva e das largadas

desamantes e solitários

irmãos das cinzas

coloridos tremores

os aniquilados

Perpétuos e presos

Em corpos doloridos

risos de fantasmas

Das luzes e dos arcos triunfais

Do silêncios mais oco

Das dores mais reumáticas

Dos prazeres mais escatológicos

Desta terra partimos sem levar nada

Deixamos as esponjas dos pulmões

Para lavar as frigideiras ocres

E dos pés em costras

Descendentes da solidão,

Catacumbas, nós os grandes homens

Fingidores do pesar

Que neste espaço de tempo

Vivemos apenas para sofrer

Dos prazeres da carne.

Estamos empenhados

Em buscar a alegria de viver

Nas correrias de um bosque verde

E claro

E dourado

E prateado

E com sombra

E sorridentes gozaremos

Da paisagem divinal

E dos nossos corpos não teremos dores

Nem tristezas pois já sofremos

Tudo que devemos

Voz desse nós

Que grita uma dor inconfessável

Que nessa prece agoniza

Choro lágrimas secas e salgadas

Como dói, como dói

Não sofrerei

Sofrerei mais.

Esse será o último dias de lágrimas.

Estou de peito aberto

Para a vida e dela serei

A vida é sempre mais importante que toda dor.

Não me resignarei com lamentos

Prefiro mil vezes escolher a compreensão

E chorar com os que sofrem e sorrir mesmo

Que depois de muito tempo nas trevas.

Bruno Eliezer

Written by

Nunca se saberá como se deve contar isto, se na primeira pessoa ou na segunda, usando a terceira no plural ou inventando continuamente formas que de nada…