[cromáticos de cor e verso]
cromáticos de cor e verso
Vozes das pedras, da chuva e das largadas
desamantes e solitários
irmãos das cinzas
coloridos tremores
os aniquilados
Perpétuos e presos
Em corpos doloridos
risos de fantasmas
Das luzes e dos arcos triunfais
Do silêncios mais oco
Das dores mais reumáticas
Dos prazeres mais escatológicos
Desta terra partimos sem levar nada
Deixamos as esponjas dos pulmões
Para lavar as frigideiras ocres
E dos pés em costras
Descendentes da solidão,
Catacumbas, nós os grandes homens
Fingidores do pesar
Que neste espaço de tempo
Vivemos apenas para sofrer
Dos prazeres da carne.
Estamos empenhados
Em buscar a alegria de viver
Nas correrias de um bosque verde
E claro
E dourado
E prateado
E com sombra
E sorridentes gozaremos
Da paisagem divinal
E dos nossos corpos não teremos dores
Nem tristezas pois já sofremos
Tudo que devemos
Voz desse nós
Que grita uma dor inconfessável
Que nessa prece agoniza
Choro lágrimas secas e salgadas
Como dói, como dói
Não sofrerei
Sofrerei mais.
Esse será o último dias de lágrimas.
Estou de peito aberto
Para a vida e dela serei
A vida é sempre mais importante que toda dor.
Não me resignarei com lamentos
Prefiro mil vezes escolher a compreensão
E chorar com os que sofrem e sorrir mesmo
Que depois de muito tempo nas trevas.
