Poesia e tradução: Poeta busca emprego (Pedro Granados)

Bruno Eliezer
Jul 21, 2017 · 3 min read

[Poeta busca empleo]

Pedro Granados

Poeta busca empleo
muy bien remunerado.
Cura almas. Menos la suya.
O permite ponerlas
sobre cualquier papelito
para que ya no molesten.
Colabora en hablar con Dios
todos los días
como si fuera la cosa más simple
de este mundo.
Y aquí no ha pasado nada.
Tú sigues siendo tú
y Dios continúa siendo el mismo
aunque ahora con algo así, entre ambos,

como de un acuerdo entre caballeros.
Dejas de preguntar, deja de atormentarte.
Pero de todo corazón.
A las feas el poeta
les permite ser lindas.
Y a estas últimas disfrutar, también,
con el imaginarse ser de lo peor.
Aunque, ahí mismo, volver a la realidad
frente a la más próxima y golosa
de las miradas.
Todos los problemas de gramática
o comunicación
los resuelve, además, entre los hombres:
pobre diablo, farsante, comemierda
se mencionarán al desgaire
–de ida y vuelta–
y esto vaya si libera.
¿Cómo iba a ser de otro modo?
Para pagarle
pónganse las dos manos
en el pecho
y dejen libres los bolsillos.
Nadie ha de devolverles su dinero,
qué va. Aunque el poeta ya sabrá
disfrutar como un chancho con ello.
Los más concientes se sentirán justos,
ecológicos, realizados. Ojo
no sólo así se sentirán,
sino que muy de veras lo serán.
Y los denominados corruptos,
si es que a un verdadero corrupto
pudiese interesarle también la poesía,
caerán en la cuenta que estuvieron detrás
de un misio chancay de a veinte.
Que los grados de manipulación acaso
son insondables. Se mirarán el propio ombligo, entonces,
luego el de su prójimo, a través de tan distintas ropas,
por cierto, y comprenderán
que junto con ellos perdimos
inadvertidamente el tiempo.
Denle su dinero al poeta, su lugar
en este no lugar. Él sabrá convertirlo,
de modo puntual, en incienso muy fino.
A más caudales, más nítido
y permanente el humo.
Dense el espectáculo, para nada gratuito,
de verlo gozar como el chancho que es.

[Poeta busca emprego]

Tradução Bruno Eliezer Melo Martins

Poeta busca emprego

muito bem remunerado.

Cura almas. Menos a sua

ou permite colacá-las

sobre qualquer papelzinho

para que não o molestem tanto.

Colabora em falar com Deus

todos os dias

como se fosse a coisa mais simples

deste mundo.

E aqui não se tem passado nada.

Tu segues sendo tu

e Deus continua sendo o mesmo

ainda que agora com algo assim, entre ambos,

como um acordo entre cavalheiros.

Deixes de perguntar, deixes de te molestar.

Mas de todo coração.

Às feias ao poeta

lhes permite ser lindas.

E a estas últimas desfrutar, também,

Com o imaginar-se ser do pior.

Ainda que, aí mesmo, volte a realidade

frente a mais próxima e gulosa

das olhadas.

Todos os problemas de gramática

ou comunicação

os resolve, ademas, entre os homens:

pobre diabo, farsante, comemerda

se mencionarão o relapso

— de ida e volta —

E isto o libera

Como seria de outro modo?

Para pagá-lo

ponha-se as duas mãos

No peito

e deixem os bolsos livres.

Ninguém há de devolver seu dinheiro,

Que vá. Ainda que o poeta já saberá

Desfrutar como um porco com ele.

Os mais conscientes se sentirão justos,

ecológicos, realizados. Olho

não só assim se sentirão,

senão que muito deveras o serão

E os denominados corruptos

se é que um verdadeiro corrupto

pudesse se interessar também pela poesia,

tomarão em conta de que estiveram atrás

de um pobre pãozinho de vinte.

Que os graus de manipulação talvez

sejam insondáveis. Se olharão no próprio

Umbigo, então,

Logo no de seu próximo, através de tão

distintas roupas,

Com certeza, e compreenderão

Que junto deles perdemos

inadvertidamente o tempo.

Deem seu dinheiro ao poeta, seu lugar

Neste não lugar. Ele saberá convertê-lo,

De modo pontual, em incenso muito fino.

No mais caudaloso, mais nítido

E permanente fumo.

Deem-se ao espetáculo, para nada gratuito,

De vê-lo gozar como o porco que és.

Bruno Eliezer

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Nunca se saberá como se deve contar isto, se na primeira pessoa ou na segunda, usando a terceira no plural ou inventando continuamente formas que de nada…

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