Vocês conhecem o Kudai?

As músicas em espanhol estão em alta em todo o mundo. Gostando ou não, “Despacito”, de Luis Fonsi e Daddy Yankee, colaborou para o renascimento da febre latina e abriu espaço para artistas como Maluma (“Felices Los 4”), Carlos Vives (“La Bicicleta” com Shakira)e J Balvin (“Mi Gente”) em mercados que nem sempre abraçam as canções no idioma, incluindo o Brasil. O impacto foi tão grande por aqui que Anitta e Claudia Leitte se apressaram em entrar na onda (“Paradinha” e “Baldin de Gelo”, estou falando de vocês!).
Porém o pop latino sempre foi muito interessante e, por mais que antes não tivesse espaço nas rádios brasileiras, sempre se manteve firme nos nossos países vizinhos. Um dos grupos mais legais do gênero é o Kudai, que fez muito sucesso na América Latina na década passada.
Eles podem ser considerados uma alternativa ao RBD, grupo mexicano que surgiu na mesma época. Suas composições pareciam mais pessoais, intimistas e continham críticas sociais, o que os faziam soar até mais “rebeldes” que a de seus colegas mexicanos (mesmo que nenhum dos integrantes compusesse as canções).
A banda foi formada em 2004, mas já atuava desde 1999 com o nome Ciao. Na época, eles faziam covers de músicas italianas que fizeram sucesso na década de 1970. Quando adotaram o nome Kudai (que significa “jovem trabalhador”, na língua mapuche, falada pelos povos nativos do Chile), eles se reinventaram em um grupo pop e lançaram seu primeiro álbum, Vuelo.
O sucesso foi imediado. As letras falavam sobre amor, separações e querer escapar da realidade, todos temas que qualquer jovem pode se identificar. Entre os sucesso do disco estavam “Sin Despertar”, “Ya Nada Queda” e “Lejos de La Ciudad”.
O segundo álbum do grupo surgiu em 2006 e trouxe uma imagem punk para os integrantes. Sobrevive se afastou da sonoridade do disco de estreia do grupo e trouxe composições mais sérias e pesadas, como a ótima “Déjame Gritar”, primeira canção promocional da nova fase.
Apesar do rímel e unhas pintadas de preto, o grupo amadureceu em seu segundo trabalho e a qualidade sonora de seus produtores se mostra em faixas como “Tal Vez”, “Llévame”, “Aún” e “Ven”. Seus clipes passaram a denunciar temas como relacionamentos abusivos e distúrbios alimentares.
Ainda em 2006, a integrante Nicole Natalino decidiu se separar do grupo e então a cantora equatoriana Gabriela Villalba assumiu seu lugar e regravou todas as faixas do álbum Sobrevive, que foi relançado mais tarde naquele ano.
A reedição do álbum trouxe a canção “Tú”, uma das mais belas da banda e a sétima a alcançar o topo das paradas chilenas.
Em 2008, o Kudai começou a trabalhar em seu terceiro álbum com os produtores Carlos Lara (responsável por diversos sucessos do RBD) e Koko Stambuk (que anos depois produziria o ótimo Eclipse de Luna, da Maite Perroni). As sessões em estúdio se tornaram o álbum Nadha (que significa “sons das profundezas da alma” em sânscrito) e marcou a primeira vez que os integrantes compuseram canções para o grupo.
A banda continuou a tratar temas sociais em suas letras como a violência doméstica em “Morir de Amor” (eles fizeram uma campanha chamada Amor sem Violência para promover a canção e seu vídeo), a homofobia em “Disfraz” e o aquecimento global em “Lejos de Aquí”.
Nadha foi indicado a Melhor Álbum Pop por um Grupo ou Dupla no Grammy Latino de 2008 (junto com Empezar Desde Cero, do RBD). Os dois grupos acabaram lançando uma parceria, junto com Eiza Gonzáles (agora uma atriz de sucesso em Um Drink no Inferno e Em Ritmo de Fuga) na canção “Estar Bien”, em campanha contra a obesidade.
Nos anos seguintes a banda decidiu entrar em hiatus, status que permaneceu até 2016, ano em que os integrantes originais (Bárbara, Nicole, Pablo e Tomás, sem Gabriela) decidiram voltar aos palcos. A banda foi recebida de braços abertos pelo público nostálgico que cresceu com as suas canções. O novo single do Kudai, “Aqui Estaré”, lançado em 2017, é o primeiro da nova fase da banda.
